O Bradesco BBI reduziu as projeções para os volumes negociados na B3 após incorporar os resultados do segundo trimestre de 2026 e a desaceleração recente do mercado, mas manteve a recomendação de compra para B3SA3. O banco cortou o preço-alvo da ação de R$ 21 para R$ 20, embora ainda considere o valuation atrativo e veja espaço para recuperação dos negócios caso os juros caiam mais rapidamente.

Como ficaram as novas projeções de volume da B3

O volume financeiro médio diário negociado (ADTV) foi revisado para R$ 32,5 bilhões em 2026 e também para R$ 32,5 bilhões em 2027. Antes, o BBI projetava R$ 36,1 bilhões para 2026 e R$ 43 bilhões para 2027. Isso representa cortes de aproximadamente 10% e 24%, respectivamente, nas estimativas para o movimento financeiro da Bolsa.

O banco também reduziu o número médio de contratos negociados por dia (ADV). A previsão para 2026 caiu de 11,8 milhões para 11 milhões, uma redução de cerca de 7%. Para 2027, passou de 12,6 milhões para 11,8 milhões, queda próxima de 6%. Com a menor expectativa de atividade no mercado, a projeção de receita bruta da B3 foi reduzida em 2% para 2026 e em 6% para 2027.

Revisões afetam lucro principalmente em 2027

Mesmo com a perspectiva de menor receita operacional, o BBI elevou as estimativas para o resultado financeiro da companhia e incorporou o efeito da venda de um ativo realizada no segundo trimestre. Por isso, a projeção de lucro antes dos impostos ficou praticamente estável para 2026, enquanto recuou 8% para 2027.

Para o lucro líquido, o banco agora estima R$ 6,4 bilhões em 2026, alta de 2% em relação à projeção anterior, e R$ 6,6 bilhões em 2027, queda de 4%. A estimativa de 2026 também considera a antecipação de pagamentos extraordinários de juros sobre capital próprio (JCP), que reduz a alíquota efetiva de tributação no período.

Por que o BBI ainda considera a ação atrativa

Apesar dos cortes nas projeções de volume e lucro para 2027, os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes afirmam que os principais riscos negativos já parecem refletidos no preço da ação. Pelos cálculos do banco, B3SA3 é negociada a 12,3 vezes o lucro estimado para 2027 e oferece dividend yield projetado de 9%, indicador que relaciona os dividendos esperados ao preço do papel.

Outro ponto destacado é a possibilidade de uma queda dos juros mais rápida do que a esperada. Com rendimentos menores na renda fixa, parte dos investidores pode buscar mais exposição à Bolsa, elevando os volumes negociados. Para a B3, isso tende a aumentar as receitas ligadas à negociação e permitir que despesas cresçam menos do que o faturamento, mecanismo conhecido como alavancagem operacional.

O que pode mudar para os resultados e para quem investe

Segundo o BBI, cada aumento de R$ 1 bilhão no ADTV pode elevar o lucro líquido estimado para 2027 em aproximadamente 0,6%, mesmo sem considerar ganhos de margem antes dos impostos. Quando os efeitos da alavancagem operacional são incluídos, uma recuperação dos volumes poderia aumentar as estimativas de lucro entre 1% e 8%.

Na prática, a atualização mostra que a tese para a B3 depende tanto do nível de atividade do mercado quanto do ambiente de juros e da capacidade de a companhia transformar maior negociação em lucro. O próximo acompanhamento deve se concentrar na evolução dos volumes, nos resultados financeiros e no ritmo de pagamentos aos acionistas. A manutenção da recomendação pelo BBI não elimina os riscos, e a decisão sobre a ação continua dependendo da avaliação individual de cada investidor.