Com ROE de 39,2% no segundo trimestre, indicador que mede quanto o banco lucra em relação ao patrimônio dos acionistas, o Banco Bari não descarta fazer uma oferta pública inicial de ações, o IPO, no futuro. O CFO Evaldo Perussolo afirma, porém, que a instituição está capitalizada para continuar crescendo sem buscar recursos externos agora — o que reduz a urgência de chegar à Bolsa.
Por que o IPO deixou de ser prioridade imediata
O Bari já havia sido sondado sobre uma possível abertura de capital, mas concluiu que as condições apresentadas não atendiam às expectativas do banco naquele momento. De acordo com Perussolo, não há atualmente uma negociação em andamento para a operação.
O executivo evita, entretanto, tratar o IPO como uma possibilidade descartada. Uma oferta de ações poderia voltar a ser analisada caso trouxesse vantagens para acelerar a expansão, ampliar o acesso a capital ou criar algum diferencial competitivo para a instituição.
Capital próprio sustenta expansão da carteira
A decisão de esperar está ligada à estrutura financeira do banco. O Bari encerrou o segundo trimestre com índice de Basileia de 21%, praticamente o dobro do mínimo regulatório de 10,5% exigido pelo Banco Central. O indicador mostra a capacidade de uma instituição absorver perdas e manter operações usando seu capital.
Além disso, os resultados positivos aumentam o patrimônio do banco. Na prática, esse processo gera recursos próprios para ampliar a carteira de crédito, reduzindo a necessidade imediata de captar dinheiro com investidores ou emitir novas ações.
Home equity concentra 85% dos negócios
Fundado em 1995, o Banco Bari começou ligado ao financiamento de veículos, passou pelo crédito consignado nos anos 2000 e mudou o foco para o setor imobiliário a partir de 2008. Atualmente, cerca de 85% da carteira está concentrada nesse segmento, enquanto o consignado representa uma parcela menor.
O principal produto é o home equity, modalidade em que o cliente oferece um imóvel como garantia para obter crédito. Segundo o CFO, esse mercado tem crescido entre 30% e 40% ao ano, mas ainda é pequeno: a carteira brasileira estaria entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões, enquanto o financiamento imobiliário se aproxima de R$ 1 trilhão.
Tecnologia foi financiada com recursos do próprio banco
Para ganhar escala, o Bari iniciou uma transformação tecnológica em 2019 e intensificou os investimentos nos anos seguintes. A instituição digitalizou etapas da concessão de crédito e automatizou processos, com a expectativa de aumentar a operação sem elevar os custos fixos na mesma proporção.
O investimento pesou no resultado de 2022, único ano de prejuízo em 31 anos de história, segundo Perussolo. O executivo afirma que a perda era esperada e foi financiada com recursos próprios, sem aporte externo.
O que observar daqui para frente
O crescimento do home equity continuará sendo o eixo principal da estratégia, enquanto o banco avalia uma possível entrada no consignado privado. A modalidade já foi estudada, mas a instituição preferiu aguardar antes de avançar.
Para quem acompanha o mercado, o ponto central é que um eventual IPO dependerá menos de uma necessidade urgente de capital e mais de uma oportunidade considerada vantajosa. Até lá, o Bari pretende usar a geração de resultados e sua estrutura de capital para expandir a carteira, mantendo a abertura de capital como alternativa futura.
