As empresas listadas na B3 perderam R$ 306,3 bilhões em valor de mercado entre 3 e 18 de agosto, período em que o Ibovespa acumulou 11 pregões consecutivos de queda. O movimento reduziu em 6,2% o valor conjunto de 301 companhias acompanhadas no levantamento, levando o total de R$ 4,967 trilhões para R$ 4,661 trilhões em apenas 11 sessões.
Perda equivale ao valor de mercado da Vale
O tamanho do recuo pode ser dimensionado pela comparação com uma das maiores empresas brasileiras. A perda de R$ 306,3 bilhões é praticamente equivalente ao valor de mercado da Vale, estimado em R$ 304,5 bilhões.
Valor de mercado é o resultado da multiplicação do preço das ações pela quantidade de papéis em circulação. Portanto, quando as cotações caem, o valor total atribuído às companhias diminui, mesmo que não haja uma saída de dinheiro nesse mesmo montante dos caixas das empresas. O dado mostra, porém, quanto os investidores passaram a avaliar menos essas companhias na Bolsa.
Ibovespa tem a sequência de baixa mais longa desde 2023
No pregão de 18 de agosto, o Ibovespa recuou 0,27%, para 166.335 pontos, completando a 11ª queda seguida. É a sequência negativa mais extensa desde 2023, quando o índice chegou a acumular 13 sessões consecutivas de baixa.
A deterioração também aparece na comparação internacional. Até 18 de agosto, o índice brasileiro acumulava queda de 6,55% em reais no mês, enquanto o dólar subia 2,50% ante a moeda brasileira. Para o investidor estrangeiro, a combinação resultava em perda de 8,83% em dólares. Entre 21 índices acompanhados, o Ibovespa tinha o segundo pior desempenho no mês nessa moeda, à frente apenas do Merval, da Argentina, que caía 12,48%.
Bancos concentram mais de um terço do recuo
A baixa atingiu diversos setores, mas foi mais intensa entre os bancos. O segmento perdeu R$ 112,6 bilhões em valor de mercado no período, o equivalente a 36,8% da perda total das empresas analisadas.
As quatro maiores perdas individuais foram de Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e BTG Pactual. Juntos, os bancos perderam R$ 111,2 bilhões, praticamente todo o recuo registrado pelo setor. Energia elétrica respondeu por uma redução de R$ 44,3 bilhões, enquanto água e saneamento perdeu R$ 20 bilhões.
Queda se espalhou para empresas de outros setores
Apesar da concentração no setor financeiro, a pressão não ficou restrita aos bancos. Cerca de R$ 193,7 bilhões da perda total vieram de outros segmentos. Ambev, Sabesp, Vale, Petrobras, Axia Energia e Telefônica Brasil também apareceram entre as dez companhias com maiores recuos no período.
A velocidade do movimento foi especialmente forte no início da sequência. Entre 3 e 12 de agosto, em oito pregões, as empresas acompanhadas perderam R$ 279 bilhões, aproximadamente 90% da redução contabilizada até 18 de agosto. Nos seis pregões seguintes, a perda adicional foi de R$ 27,3 bilhões.
Saída de estrangeiros reforça pressão sobre a Bolsa
O fluxo de capital estrangeiro acompanhou a piora das cotações. Até 14 de agosto, os investidores estrangeiros haviam retirado liquidamente R$ 18,14 bilhões da Bolsa brasileira. O número considera apenas parte do mês e ajuda a dimensionar a pressão vendedora observada no período.
Para quem acompanha o mercado, o próximo ponto de atenção é saber se a sequência de baixas será interrompida ou se a saída de recursos continuará afetando as ações. A perda de valor de mercado já alcançou bancos, empresas de serviços públicos e companhias ligadas a setores distintos, indicando um movimento disseminado entre os papéis negociados na B3.
