A B3 mantém um grupo de trabalho com participantes do setor para discutir formas de desenvolver o mercado de fundos imobiliários (FIIs). As reuniões, realizadas a cada dois ou três meses, tratam de transparência, liquidez, formação de preços e novos produtos — temas que podem influenciar tanto a negociação das cotas quanto a capacidade de atrair investidores.
Grupo reúne diferentes participantes do mercado
A mesa de discussão reúne gestores e corretoras e pode incluir casas de análise e representantes de outras classes de ativos. A proposta é identificar, em conjunto, o que falta para a indústria avançar. Entre as questões debatidas estão a qualidade das informações disponíveis sobre os fundos e as condições para comprar e vender cotas.
A bolsa também cita a ampliação dos ativos aceitos como garantia em operações como uma das iniciativas discutidas. Esse tema já avançou na B3, mas não foram detalhados quais ativos passaram a ser aceitos nem as condições da mudança. Em termos gerais, mais opções de garantia podem ampliar as ferramentas disponíveis aos participantes do mercado.
Transparência é parte da aproximação com o exterior
O grupo trabalha em uma agenda que acompanha a internacionalização da indústria. Há cerca de um ano e meio, a B3 discute com gestoras maneiras de ampliar a transparência dos fundos e aproximar a contabilidade brasileira de padrões usados em outros países.
Uma das referências são os REITs, estruturas de investimento imobiliário comuns no exterior. Para que FIIs sejam reconhecidos como equivalentes a esses veículos e possam ser incluídos em índices internacionais, precisam atender a requisitos de governança e divulgação. Entre os exemplos citados estão publicar documentos e relatórios contábeis em inglês e manter um site nesse idioma.
Possível padrão de governança ainda está em discussão
A ideia de criar para os FIIs algo semelhante ao Novo Mercado — segmento da B3 com exigências adicionais de governança para empresas listadas — foi levantada em uma conversa sobre o futuro do setor. A superintendente da bolsa Thalita Forne afirmou que gestores, corretoras e outros participantes já levaram à B3 discussões sobre padrões de governança.
Isso não significa que a bolsa tenha anunciado a criação de um novo segmento ou definido regras para os fundos. A executiva disse que a provocação é bem-vinda, mas não confirmou se a agenda seguirá esse formato. Por ora, o trabalho se concentra em discutir os próximos passos para o desenvolvimento da indústria.
Investidores estrangeiros podem pressionar por mais informação
A entrada de investidores internacionais pode aumentar a cobrança por informações mais completas, segundo Forne. Como esses participantes estão acostumados a outros padrões de divulgação, a demanda pode levar gestoras a aprimorar relatórios e práticas de governança. A expectativa é que a exposição ao exterior e a transparência se reforcem mutuamente.
O reconhecimento internacional também pode abrir caminho para a entrada de recursos de fundos passivos e ETFs que acompanham índices. A executiva afirmou que, em períodos de rebalanceamento desses indicadores, os volumes negociados podem chegar a 10, 20 ou 30 vezes o patamar habitual. O fluxo, porém, depende de os fundos cumprirem os requisitos e integrarem os índices.
O que a agenda pode significar para quem investe
A B3 cita como objetivo de longo prazo ampliar a negociação diária, hoje descrita em milhões de reais, para bilhões, e fazer crescer o estoque de FIIs, próximo de R$ 200 bilhões. Esses números expressam uma ambição da bolsa, não uma previsão com prazo definido. Regras mais claras e informações padronizadas podem facilitar a avaliação dos fundos, mas não eliminam os riscos nem garantem liquidez para todas as cotas.
O próximo passo é a continuidade das conversas entre os participantes, que se reúnem a cada dois ou três meses. Para o investidor, vale acompanhar se as discussões resultam em mudanças concretas nos padrões de divulgação, nas garantias aceitas e nas condições de negociação. Até agora, não foi anunciada uma nova regra de governança para os fundos.
