As ações da Azzas 2154 (AZZA3) subiam 8,23%, a R$ 18,81, por volta das 11h25 desta quinta-feira (1º), enquanto o mercado acompanhava as propostas pela Farm Rio. Há 15 ofertas não vinculantes pela marca, e os valores avaliados por potenciais compradores estariam abaixo do que seus acionistas esperam — uma diferença que pode influenciar o prazo e o resultado de uma eventual negociação.

Quinze propostas ainda sem compromisso definitivo

As 15 propostas apresentadas até agora são não vinculantes: indicam interesse e condições preliminares, mas não obrigam as partes a concluir uma transação. O próximo passo previsto é a entrega, ainda em outubro, de propostas vinculantes, que formalizam uma oferta com compromisso mais concreto, sujeita às condições estabelecidas na negociação.

Fundos de investimento e grupos internacionais de moda estariam avaliando a Farm entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões. A faixa esperada pelos acionistas seria de R$ 4,5 bilhões a R$ 5,5 bilhões. Se essa distância persistir, comprador e vendedor podem ter dificuldade para chegar a um preço comum, prolongando as conversas ou impedindo um acordo.

Por que a marca pesa na avaliação da Azzas

A Farm responde por aproximadamente 25% da receita bruta da Azzas e é considerada um dos ativos mais valiosos do grupo. Por isso, o preço atribuído à marca pode ajudar investidores a estimar quanto vale uma parte importante do portfólio — e não apenas refletir uma negociação isolada.

Analistas do Safra avaliam que a faixa de R$ 3,5 bilhões a R$ 4 bilhões corresponderia a cerca de 160% a 180% da capitalização de mercado da Azzas, estimada em R$ 2,2 bilhões. Capitalização é o valor de mercado de todas as ações da empresa. A comparação ajuda a explicar a reação positiva: uma transação poderia evidenciar valor que investidores consideram pouco reconhecido no preço atual da companhia.

O que uma venda poderia destravar — e o que não garante

Uma operação nesse patamar poderia fornecer uma referência de preço para a Farm e reforçar a tese de que as partes do grupo valem, somadas, mais do que o mercado atribui à companhia como um todo. Esse é o chamado efeito de “soma das partes”: avaliar separadamente negócios que hoje estão reunidos sob uma mesma empresa.

Isso não significa, porém, que o valor estimado se converta automaticamente em dinheiro para os acionistas da Azzas. O efeito dependeria dos termos finais, de quem ficaria com o ativo e de como a reorganização societária seria executada. Além disso, a diferença entre as avaliações dos compradores e a expectativa dos acionistas pode adiar ou inviabilizar a transação.

A cisão mantém a Farm compartilhada entre os blocos

A Azzas anunciou em setembro uma reorganização que prevê separar os negócios em duas companhias abertas, retomando as estruturas da Arezzo&Co e da SOMA. A Farm e suas extensões, entre elas Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula, ficariam em uma sociedade própria, com participação de 57,4% da Arezzo&Co e 42,6% da SOMA, além de gestão e governança próprias.

Esse arranjo dá às partes uma estrutura para conduzir o futuro da marca, mas não elimina a necessidade de definir seu valor e os próximos passos. Para quem investe, o movimento das ações reflete a possibilidade de a negociação tornar mais claro o valor da Farm, não a confirmação de uma venda. As ofertas vinculantes previstas para outubro e a distância entre as faixas de preço serão os próximos sinais a acompanhar.