A área tratada com defensivos agrícolas aumentou 5% no primeiro semestre de 2026, para 1,2 bilhão de hectares, enquanto o mercado avançou 11,1% em valor, para cerca de US$ 9 bilhões. O descompasso indica que os produtores gastaram mais por área protegida, em um cenário de forte pressão de pragas e doenças sobre as lavouras.

Mercado cresce mais em valor do que em área

O volume total de produtos aplicados entre janeiro e junho subiu 4,5% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando 793,8 mil toneladas. A alta ficou abaixo do crescimento da área tratada e, principalmente, do avanço de 11,1% na receita do setor.

Essa diferença pode refletir a combinação de maior intensidade de manejo e do uso de produtos de maior valor, embora o levantamento não detalhe a contribuição de cada fator. As aplicações analisadas correspondem ao manejo final da safra de verão 2025/26 e à implantação de culturas de segunda safra, como milho e algodão.

Fungicidas e inseticidas puxam as aplicações

A área tratada com fungicidas cresceu 7,4% no primeiro semestre, enquanto a de inseticidas avançou cerca de 6% na comparação anual. Entre os inseticidas, houve aumento das aplicações para controlar a mosca-branca, praga que afeta especialmente determinadas culturas agrícolas.

Em volume utilizado, os herbicidas responderam por 41% do total, seguidos pelos inseticidas, com 29%, e pelos fungicidas, com 22%. Já na distribuição da área tratada, os inseticidas ficaram com 35% da cobertura, à frente dos herbicidas, com 19%, e dos fungicidas, com 17%.

Milho e soja concentram o dinheiro investido

O milho representou 35% da área tratada no período, seguido por soja, com 29%, e algodão, com 14%. Também aparecem pastagens, cana-de-açúcar, hortifruti, feijão, citros, arroz e trigo, além de outras culturas.

Em valor, o milho demandou US$ 2,86 bilhões em defensivos no primeiro semestre, alta de 11% ante o mesmo período do ano passado. A soja liderou o crescimento percentual, com expansão de 22%, para US$ 2,3 bilhões, reforçando o peso das duas culturas no mercado brasileiro.

Por que o total supera a área cultivada

O número de 1,2 bilhão de hectares não representa a extensão física de terras diferentes. A metodologia contabiliza cada aplicação feita em uma mesma lavoura. Assim, uma área que recebe mais de um tratamento ao longo do ciclo aparece várias vezes na soma.

O Brasil é o maior mercado mundial de defensivos agrícolas, com cerca de US$ 20 bilhões movimentados em aplicações anuais. O clima tropical favorece a ocorrência de pragas e doenças, elevando a necessidade de proteção das plantações. Ainda assim, considerando o uso por tonelada produzida, o país aparece na 14ª posição, apesar de liderar a produção de soja, cana e café e ocupar a terceira posição em milho.

Biológicos ganham espaço entre as alternativas

Os defensivos biológicos já representam cerca de 5% do mercado brasileiro. A área tratada com essa tecnologia praticamente dobrou em cinco anos, e sua adoção alcança metade da área total cultivada no país, segundo o levantamento.

Para quem acompanha o agronegócio, os dados mostram um setor com demanda sustentada pelo aumento da pressão sobre as lavouras, mas também em transformação tecnológica. O próximo acompanhamento será a evolução das aplicações e dos gastos ao longo da segunda metade de 2026, especialmente nas culturas de segunda safra e na soja, que apresentou o maior crescimento em valor.