A aprovação de Donald Trump entre os eleitores republicanos caiu para 72%, o menor nível da série iniciada em maio, segundo pesquisa nacional realizada entre 28 de agosto e 1º de setembro. O dado é o principal sinal de desgaste político do presidente dentro de sua própria base, em meio ao pessimismo com a economia, ao aumento do custo de vida e à rejeição às tarifas comerciais.
Avaliação geral de Trump recua ao menor nível
Considerando todos os eleitores registrados, a aprovação de Trump recuou para 33%, três pontos percentuais abaixo do levantamento anterior e também o menor resultado da série. A pesquisa ouviu 1.914 pessoas pela internet e tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais.
O resultado ocorre a menos de dois meses das eleições de meio de mandato, quando estarão em disputa cadeiras do Congresso americano. Quase dois terços dos entrevistados disseram que a economia está caminhando na direção errada, enquanto 57% afirmaram estar em pior situação financeira sob o atual governo, ante 53% no mês anterior.
Economia e tarifas pressionam a base republicana
Mesmo entre republicanos, a avaliação sobre a condução de empregos e da economia caiu para 53%, uma redução de quase oito pontos em um mês. O resultado indica que o desconforto não está restrito a democratas ou eleitores independentes: parte da própria base passou a associar o governo a custos mais altos e menor segurança financeira.
Na política comercial, 56% desaprovaram a decisão de impor uma tarifa de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos canadenses. A rejeição alcançou mais de 60% dos independentes e quase um terço dos republicanos. O Canadá respondeu com tarifas de até 50% sobre produtos americanos, ampliando o risco de repasse para os preços.
Guerra com o Irã eleva custos e inflação
Outro fator citado no levantamento é a guerra com o Irã, que Trump não conseguiu encerrar. Nos últimos seis meses, o conflito teria elevado os custos de financiamento dos Estados Unidos e pressionado os preços de combustíveis e bens de consumo.
Na sexta-feira, 4 de setembro, o diesel americano atingiu o recorde de US$ 5,85 por galão, segundo a associação automobilística americana. Combustível mais caro aumenta despesas de transporte e produção, criando pressão sobre os preços finais e reduzindo a renda disponível das famílias.
Risco eleitoral cresce para os republicanos
A estratégia de Trump é colocar sua imagem no centro da campanha republicana para as eleições legislativas, incluindo uma convenção de dois dias do Comitê Republicano Nacional prevista para a semana seguinte, em Dallas. A pesquisa, porém, sugere que a associação pode trazer custos eleitorais.
46% dos entrevistados disseram que Trump dificulta a vitória de candidatos republicanos ao Congresso. Entre independentes, 47% afirmaram que um endosso do presidente os tornaria menos propensos a apoiar um candidato. No cenário de voto genérico para o Congresso, os democratas abriram vantagem de 7,5 pontos, acima dos cinco pontos do mês anterior.
O que observar daqui para frente
O próximo teste será saber se a piora na avaliação econômica se transforma em perda de apoio nas urnas ou se o governo consegue reverter a percepção com sua agenda de cortes de impostos, desregulamentação e expansão energética. A Casa Branca também citou o relatório de emprego de agosto como evidência de criação de vagas no setor privado.
Para investidores e consumidores brasileiros, o ponto central é acompanhar a evolução das tarifas, do combustível e da atividade americana. Uma desaceleração nos Estados Unidos pode afetar mercados globais e exportações, enquanto novos aumentos de custos podem pressionar inflação, juros e câmbio. A queda do apoio entre republicanos torna esses temas ainda mais relevantes para a disputa eleitoral.
Impacto para a sociedade
O desgaste econômico nos Estados Unidos pode afetar brasileiros se a guerra comercial elevar preços de produtos importados ou reduzir o ritmo da maior economia do mundo. Combustíveis mais caros e custos maiores de financiamento também podem pressionar a inflação global e influenciar mercados, câmbio e juros no Brasil.
