A parcela de assessores que relata que seus clientes pretendem aumentar a exposição a ações subiu 19 pontos percentuais em setembro, para 29%, na maior alta mensal desde junho de 2023. A pesquisa da XP indica uma melhora expressiva no apetite pela Bolsa, mas a intenção ainda não se traduziu em uma mudança relevante nas carteiras: para a maioria dos assessores, a fatia investida em renda variável segue limitada.

Mais otimismo, menos investidores sem intenção de mudar

Além dos 29% que apontaram planos de elevar a alocação em ações, 11% dos assessores disseram que seus clientes pretendem reduzir a exposição, queda de 6 pontos percentuais ante agosto. Já a parcela que não espera mudanças recuou 13 pontos, para 60%, o menor nível desde março. Os dados mostram uma mudança no balanço das intenções, não necessariamente uma compra já realizada.

A percepção dos assessores sobre a Bolsa também melhorou. A nota média, em uma escala de zero a dez, passou de 5,7 em agosto para 6,8 em setembro, maior patamar desde maio. A proporção de respostas com nota 7 ou mais cresceu 18 pontos, para 61%; as avaliações de 5 ou menos caíram 21 pontos, para 23%.

Recuperação do Ibovespa acompanha a mudança de humor

O movimento veio junto à alta do Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira. Depois de encerrar agosto aos 177 mil pontos, o índice registrou 11 pregões consecutivos de alta no início de setembro, alcançou o maior fechamento desde maio e acumulava valorização de 3,4% no mês, conforme os dados da pesquisa. A XP observa que o apetite por risco tende a acompanhar o desempenho do índice.

Quando as ações sobem, investidores podem ficar mais dispostos a considerar novos aportes nessa classe, enquanto a perspectiva de valorização pode reforçar o otimismo. Mas a pesquisa mede as respostas de assessores sobre o que os clientes planejam ou demonstram, e não o fluxo efetivo de compras na Bolsa. Por isso, a melhora do sentimento não deve ser confundida com uma migração já consolidada para ações.

Projeção para o índice sobe, mas renda fixa continua à frente

A estimativa média dos assessores para o Ibovespa no fim de 2026 avançou de 172 mil para 188 mil pontos. Com o índice em torno de 183 mil pontos no momento considerado pela pesquisa, a projeção representa potencial de alta de aproximadamente 2,5% até dezembro. A faixa de 170 mil a 190 mil pontos foi a mais citada, por 40% dos respondentes; 33% projetaram entre 190 mil e 200 mil pontos.

Apesar do otimismo, a renda fixa continuou como a classe de ativos mais mencionada como foco de interesse dos clientes: 84% dos assessores a citaram, alta de 7 pontos percentuais e maior nível desde dezembro de 2024. As ações avançaram 6 pontos, para 39%, mesma proporção dos fundos imobiliários. Além disso, 85% disseram que a renda variável representa até 25% das carteiras, igual ao resultado de agosto; em 49% dos casos, a exposição não passa de 10%.

Eleição e riscos seguem no radar dos investidores

Os riscos fiscais foram citados por 78% dos assessores como principal preocupação para os ativos brasileiros. Instabilidade política e eleições vieram em seguida, mencionadas por 71%, maior nível já registrado na pesquisa. A eleição de outubro já influencia as carteiras de clientes para 75% dos respondentes, contra 63% em agosto, e 33% afirmaram que os investidores estão se posicionando de forma significativa.

Os riscos geopolíticos também ganharam espaço: chegaram a 35% das respostas, avanço de 17 pontos, após nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. Para quem investe, o dado central é que o entusiasmo com ações cresceu, mas convive com preferência ainda maior pela renda fixa e com incertezas políticas, fiscais e externas. A pesquisa reuniu 103 respostas de assessores ligados à XP, entre 10 e 25 de setembro; as próximas decisões dos investidores podem mostrar se a intenção de elevar a exposição se transforma em alocação efetiva.