Uma análise recomenda manter ações brasileiras na carteira, mas priorizar empresas capazes de gerar caixa e distribuir dividendos diante da Selic elevada, do aumento da inadimplência e da restrição ao crédito. A avaliação é que o ambiente continuará difícil para boa parte dos negócios, enquanto companhias com balanços sólidos podem preservar resultados e ganhar espaço de concorrentes mais frágeis.

Juros altos aumentam a pressão sobre as empresas

A Selic elevada torna os investimentos de renda fixa mais atrativos e, ao mesmo tempo, encarece o financiamento para empresas e consumidores. Para as companhias, isso pode elevar despesas financeiras, dificultar a rolagem de dívidas e reduzir recursos disponíveis para expansão.

O crédito mais restrito também afeta a demanda. Famílias e empresas enfrentam maior dificuldade para tomar empréstimos, enquanto a inadimplência crescente limita o consumo e aumenta o risco de perdas para instituições financeiras. Esse conjunto de fatores contribui para sinais de desaceleração da economia e torna mais importante diferenciar empresas por sua capacidade financeira.

Geração de caixa ganha importância no cenário atual

Na avaliação do analista Matheus Spiess, empresas líderes em seus setores, com balanços sólidos e geração recorrente de caixa, tendem a atravessar melhor períodos de atividade econômica mais fraca. O caixa ajuda a financiar operações, cumprir compromissos e reduzir a dependência de novas dívidas.

Outro ponto destacado são os dividendos, parcela do lucro distribuída aos acionistas. Em um cenário de maior incerteza, companhias que mantêm pagamentos consistentes podem oferecer uma fonte adicional de retorno, embora os proventos não sejam garantidos e dependam dos resultados e das decisões de cada empresa.

Itaú é citado como exemplo de empresa resiliente

O Itaú Unibanco, negociado sob o código ITUB4, aparece como exemplo dessa tese. A avaliação considera que o banco apresentou resultados sólidos no segundo trimestre de 2026, mesmo com o ambiente de crédito mais desafiador.

As ações acumulavam queda de 20% desde as máximas quando a análise foi publicada, em 26 de agosto de 2026. Para Spiess, esse recuo representava uma oportunidade de entrada. Essa é uma visão específica do analista e não elimina os riscos relacionados à qualidade da carteira de crédito, à inadimplência e ao desempenho da economia.

Desempenho passado não elimina os riscos

A tese é associada à Carteira Empiricus Dividendos, que, desde sua criação, acumulava valorização de 75%, equivalente a 138% do desempenho do Ibovespa no mesmo período. O dado é usado para ilustrar o histórico da estratégia, mas não permite concluir que o resultado será repetido.

Carteiras de ações estão sujeitas a oscilações e perdas, especialmente quando juros altos pressionam preços e resultados corporativos. Além disso, dividendos e valorização das cotas não são assegurados, e o desempenho divulgado não representa retorno líquido de impostos.

O que observar antes de escolher ações

Para o investidor, o cenário reforça a importância de analisar o endividamento, a capacidade de geração de caixa, a posição competitiva e o histórico de distribuição de proventos de cada empresa, em vez de considerar apenas a queda recente do preço.

Também será necessário acompanhar a evolução da Selic, do crédito, da inadimplência e da atividade econômica. Esses fatores podem alterar tanto os resultados das companhias quanto a atratividade relativa entre renda fixa e bolsa. A decisão deve considerar os objetivos, o prazo e a tolerância a risco de cada pessoa.