A Ambev (ABEV3) entrou pela primeira vez em 2026 no ranking mensal das dez ações mais negociadas da B3. Em julho, o papel ficou na sétima posição, movimento que chama atenção por ampliar a presença da fabricante de bebidas entre os ativos de maior liquidez da bolsa e por mostrar que a ação ganhou espaço em diferentes grupos de investidores.

Ambev ocupa a sétima posição no ranking de julho

O levantamento considera o volume financeiro negociado na ponta compradora, calculado com base no preço e na quantidade de ações adquiridas durante o mês. Portanto, o ranking mede a intensidade das negociações e não representa, por si só, o desempenho da cotação, a rentabilidade ou uma avaliação sobre o valor justo das empresas.

A liderança permaneceu com Petrobras PN (PETR4), Vale (VALE3) e Itaú Unibanco (ITUB4), que conservaram as três primeiras colocações pelo terceiro mês consecutivo. Na sequência vieram AXIA (AXIA3), Bradesco (BBDC4), B3 (B3SA3), Ambev, BTG Pactual (BPAC11), Petrobras ON (PETR3) e PRIO (PRIO3).

Entrada da ABEV3 muda a composição das ações mais líquidas

A estreia da Ambev ocorreu junto com mudanças relevantes em relação ao ranking de junho. A AXIA subiu da sexta para a quarta posição, enquanto o Bradesco avançou do nono para o quinto lugar. A Itaúsa (ITSA4), que ocupava a oitava colocação em junho, deixou o grupo das dez mais negociadas em julho.

A presença no ranking indica que houve maior circulação financeira em ABEV3, facilitando a entrada e a saída de investidores em comparação com ações menos negociadas. Isso, porém, não significa necessariamente que a empresa tenha registrado valorização no período ou que o mercado tenha formado uma visão consensual sobre seus próximos resultados.

Pessoas jurídicas lideram negociações de Ambev

O destaque da Ambev foi ainda maior no recorte por perfil de participante. Entre as pessoas jurídicas, ABEV3 ocupou a primeira posição em julho, à frente de Vale e Itaú Unibanco.

A ação também apareceu entre as dez mais negociadas por fundos de investimento, na nona colocação; por investidores não residentes, na sétima; e por instituições financeiras, na sexta. Entre as pessoas físicas, os papéis mais negociados foram Vale, Petrobras e Itaú Unibanco, nessa ordem.

Os resultados mostram que a preferência varia conforme o tipo de investidor. Petrobras PN liderou entre os não residentes, Vale ficou em primeiro lugar entre pessoas físicas e fundos, e AXIA foi a ação mais negociada pelas instituições financeiras.

Rankings de FIIs, ETFs e BDRs mostram diversidade

O levantamento também apontou os ativos mais movimentados em outras categorias. Entre os fundos imobiliários (FIIs), WTXA11 liderou em julho, seguido por GSFI11 e HSLG11. ADSH11 e CPUR11 completaram as cinco primeiras posições.

Nos ETFs, fundos que acompanham índices ou outros mercados, BOVA11 manteve a liderança, seguido por SMAL11 e BOVV11. IVVB11, que oferece exposição ao índice S&P 500, ficou em quarto lugar. A lista também incluiu produtos ligados à renda fixa, ouro, mercado internacional e dividendos.

Entre os BDRs, certificados negociados na B3 que representam ações de empresas estrangeiras, Micron Technology (MUTC34) ficou em primeiro, seguida por Nvidia (NVDC34) e Aura Minerals (AURA33). O BDR da SpaceX (SPCX34), lançado na B3 em junho, alcançou a sexta posição em julho.

O que o dado indica para quem acompanha a bolsa

A estreia da Ambev reforça a importância de observar não apenas a variação dos preços, mas também quais empresas concentram as negociações e quais grupos estão participando do mercado. Maior liquidez pode reduzir a dificuldade de executar ordens, embora não elimine riscos de preço ou de mercado.

O próximo ranking mensal deverá mostrar se a presença de ABEV3 entre as dez ações mais negociadas foi mantida. Até lá, o dado de julho revela uma mudança na composição dos papéis mais líquidos da B3, sem permitir concluir isoladamente sobre a direção futura da ação.