Os aluguéis residenciais subiram 9,16% nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, mais que o dobro da inflação medida pelo IPCA, que avançou 4,22% no mesmo período. O dado mostra que, apesar de uma desaceleração recente, o custo de moradia continua aumentando bem acima do índice geral de preços e pesa sobre o orçamento das famílias.
Alta mensal perde força, mas segue acima da inflação
Em agosto, os preços anunciados de novos contratos de locação avançaram 0,55%, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial, elaborado pela Fipe em parceria com o Grupo OLX. Foi o segundo mês consecutivo de moderação no ritmo de alta, mas a desaceleração ainda não representa uma reversão da tendência.
O índice acompanha apartamentos prontos para locação em 36 cidades brasileiras, incluindo 22 capitais. Em agosto, os valores subiram em 27 localidades. Vitória teve a maior alta mensal, de 4,01%, seguida por Campo Grande, com 3,85%, e Natal, com 2,82%.
Juros elevados mantêm famílias no mercado de aluguel
O cenário de juros altos e crédito imobiliário mais restritivo ajuda a explicar por que a procura por imóveis para locação continua firme. Quando o financiamento fica mais caro e exige maior comprometimento de renda, parte das famílias adia a compra da casa própria e permanece no aluguel.
Esse movimento sustenta a demanda mesmo quando os preços já estão elevados. A economista Mariangela Silva, do Grupo OLX, afirma que os dados indicam uma moderação no crescimento, mas ainda não uma mudança na trajetória de valorização dos imóveis alugados.
Capitais têm diferenças amplas nos preços
O aluguel médio nas 36 cidades monitoradas chegou a R$ 54,47 por metro quadrado em agosto. São Paulo liderou entre as capitais, com R$ 65,36 por metro quadrado, seguida por Recife, com R$ 64,19, Belém, com R$ 62,15, Rio de Janeiro, com R$ 61,40, e Florianópolis, com R$ 61,19.
Na outra ponta, Teresina registrou o menor valor médio entre as capitais, de R$ 32,51 por metro quadrado, seguida por Campo Grande, com R$ 32,76, e Aracaju, com R$ 36,09. A diferença reflete fatores locais como oferta de imóveis, concentração de empregos, infraestrutura e demanda regional.
Imóveis de dois quartos lideram valorização
Os apartamentos de dois dormitórios tiveram a maior alta acumulada em 12 meses entre as tipologias analisadas, de 10,25%, acima da média geral de 9,16%. Esse tipo de imóvel atende a um público amplo, formado por pessoas que moram sozinhas, casais, pequenas famílias, estudantes e profissionais.
Os apartamentos de um dormitório, por sua vez, apresentaram o maior preço proporcional à área, com R$ 72,41 por metro quadrado. Como costumam ter metragem menor, porém, o valor total do contrato pode ser mais acessível do que o de unidades maiores.
O que os números indicam para os próximos meses
No acumulado de janeiro a agosto, os aluguéis subiram 6,56%, acima do IPCA, que avançou 3,11%, e do IGP-M, com alta de 1,85% no período. A valorização ocorreu em 35 das 36 cidades monitoradas; Campo Grande liderou, com 16,25%, enquanto Natal avançou 13,84%. Pelotas foi a única cidade com queda no ano, de 7,18%.
Para quem aluga, o principal efeito é a pressão sobre a renda na busca ou renovação de um imóvel. Para proprietários, a alta dos preços anunciados pode elevar a receita potencial, mas a evolução varia conforme cidade, localização e tipo de apartamento. O retorno médio estimado do aluguel foi de 6,14% ao ano em agosto, chegando a 6,77% para imóveis de um dormitório.
Impacto para a sociedade
A alta dos aluguéis afeta diretamente o orçamento de quem precisa renovar um contrato ou procurar um novo imóvel, especialmente em cidades com pouca oferta. Juros elevados também dificultam a compra da casa própria e podem manter mais famílias no mercado de locação, pressionando os preços.
