Índices ligados ao agronegócio e às estatais registraram os maiores ganhos da B3 no primeiro semestre de 2026, em uma mudança importante em relação ao mesmo período de 2025. O Índice Futuro Boi Gordo avançou 16,38% entre janeiro e junho, enquanto o índice de estatais subiu 15,96%, bem acima da alta de 6,76% do Ibovespa.

Índice de boi gordo ficou no topo da B3

O Índice Futuro Boi Gordo foi o destaque do ranking da B3, com valorização de 16,38% no primeiro semestre. O indicador tem como produto relacionado o ETF BBOI11, fundo negociado em Bolsa que busca acompanhar uma cesta de ativos associada à estratégia do índice.

Na segunda colocação apareceu o índice de estatais, com ganho de 15,96% e produto relacionado ao SPUB11. O Índice de Utilidade Pública completou o grupo dos maiores avanços, com alta de 10,89% e referência no ETF UTIL11.

Veja os dez melhores desempenhos do semestre

O levantamento mostra que a recuperação da Bolsa foi seletiva. Entre os dez índices com maior valorização, seis são de renda variável, ligada a ações e outros ativos cujo preço oscila diretamente no mercado, e quatro são de renda fixa.

  • Futuro Boi Gordo: +16,38% — ETF relacionado: BBOI11;
  • Ibov Estatais: +15,96% — SPUB11;
  • Utilidade Pública: +10,89% — UTIL11;
  • Governança: +8,37% — GOVE11;
  • MidLarge Cap: +7,92%;
  • IDEB Ultra Qualidade DI: +7,64% — MARG11;
  • IBrX 50: +7,43% — PIBB11;
  • Letra Financeira S1 D1: +7,30% — LFIX11;
  • Tesouro Selic Low Turnover: +7,05% — LFTX11;
  • Tesouro Selic: +7,05% — NCDI11.

Juros elevados mantiveram a renda fixa competitiva

A presença de quatro índices de renda fixa entre os dez primeiros ajuda a explicar o ambiente do semestre. Com os juros ainda elevados, títulos públicos e privados continuaram oferecendo remuneração relevante, especialmente nas estratégias ligadas ao DI e ao Tesouro Selic.

Na prática, juros altos aumentam o retorno potencial de aplicações pós-fixadas e, ao mesmo tempo, encarecem o crédito e podem reduzir o apetite por ativos mais arriscados. Por isso, a Bolsa avançou, mas não de forma uniforme: setores e estratégias específicas tiveram desempenho superior ao do índice amplo.

Ibovespa ficou atrás de segmentos mais específicos

O Ibovespa subiu 6,76% entre janeiro e junho, mas terminou apenas na 13ª posição do ranking geral. Isso significa que o índice de referência da Bolsa teve desempenho positivo, embora tenha ficado abaixo de carteiras concentradas em agronegócio, estatais, utilidade pública e algumas modalidades de renda fixa.

O resultado também sugere uma preferência maior por segmentos considerados mais defensivos, como empresas de serviços públicos, além de setores específicos da economia. A valorização de estatais pode ter impacto relevante sobre o índice correspondente sem necessariamente representar o desempenho de todas as empresas listadas na B3.

O que mudou em relação ao primeiro semestre de 2025

A composição do ranking mudou bastante em um ano. No primeiro semestre de 2025, o Índice Imobiliário liderou, com alta de 46,41%, seguido por índices associados à governança e ao setor financeiro. Em 2026, o protagonismo migrou para o agronegócio, as estatais e setores de utilidade pública.

Os índices da B3 também servem de referência para ETFs, fundos negociados em Bolsa que replicam uma carteira ou estratégia. Isso permite acompanhar um conjunto de ativos por meio de uma única aplicação, sem comprar individualmente todos os componentes do índice. O ranking, porém, mostra apenas o desempenho passado; o próximo passo dependerá da trajetória dos juros e da evolução dos setores representados.