Estados Unidos e Canadá podem fechar um acordo comercial preliminar que reduziria as tarifas americanas sobre o aço e o alumínio canadenses, movimento que pressionou as ações da Gerdau (GGBR4) nesta quinta-feira (20). A possibilidade de maior entrada de aço do Canadá nos EUA levantou dúvidas sobre os preços e as margens da companhia, mas avaliações do Citi e do UBS BB indicam que o impacto sobre os fundamentos ainda pode ser limitado.

GGBR4 recua com temor de mais concorrência nos EUA

Por volta das 12h26, no horário de Brasília, GGBR4 caía 2,33%, a R$ 22,18. Durante o pregão, a ação chegou a recuar 4,71%, para R$ 21,64. O movimento ocorreu junto com a queda de siderúrgicas americanas, como Steel Dynamics, que recuava 8%, e Nucor, com baixa de 6%.

O mecanismo por trás da reação é direto: tarifas elevam o custo do aço importado e protegem, em alguma medida, os produtores instalados nos Estados Unidos. Se essas barreiras forem reduzidas, o aço canadense poderá chegar ao mercado americano em condições mais competitivas, aumentando a oferta e potencialmente pressionando os preços praticados pelas usinas locais.

Por que o acordo pode ter efeito limitado sobre a Gerdau

Para o Citi, a notícia gera ruído no curto prazo, mas não altera os fundamentos da Gerdau. O banco considera que o mercado pode estar antecipando uma deterioração excessiva das margens da operação americana, sem levar em conta que a companhia também possui atividades no Canadá.

Uma abertura comercial entre os dois países, portanto, não teria necessariamente efeito apenas negativo para a Gerdau. A empresa poderia sofrer com maior concorrência em parte de suas operações nos Estados Unidos, mas também pode se beneficiar de condições comerciais mais favoráveis para suas atividades canadenses.

O risco maior pode estar nas negociações com o México

O acordo entre EUA e Canadá também é observado como um possível sinal sobre o futuro do USMCA, tratado comercial que reúne Estados Unidos, México e Canadá. Os EUA decidiram não renovar o acordo em seu formato atual, deixando-o sujeito a revisões anuais, o que aumentou a incerteza sobre as regras para o comércio de aço na América do Norte.

Na avaliação do Citi, uma liberalização comercial mais ampla com o México poderia ser mais negativa para a Gerdau. A entrada de volumes adicionais mexicanos poderia alterar a relação entre oferta e demanda na região e pressionar os preços. Ainda assim, o banco considera prematuro incorporar ao preço da ação uma reversão do ambiente favorável observado até agora no setor.

Dados de demanda reduzem o temor de excesso de oferta

O UBS BB avalia que a manchete parece mais negativa do que os dados disponíveis indicam. A Gerdau estaria relativamente bem posicionada porque seus segmentos de vigas estruturais e de aços para laminação comercial parecem mais protegidos de um aumento das importações canadenses e mexicanas.

Canadá e México não são grandes exportadores desses produtos para os EUA e se tornaram importadores líquidos no acumulado de 2026. Além disso, a demanda por vigas e aços de laminação comercial cresceu cerca de 7% no ano, acima do desempenho de outros produtos. As importações de vigas aumentaram 60% no mesmo período, mas o UBS BB entende que a demanda pode absorver volumes adicionais. A adoção de cotas também reduziria a pressão competitiva.

O que o investidor deve acompanhar daqui em diante

O Citi mantém preço-alvo de R$ 29 para GGBR4, enquanto o UBS BB trabalha com R$ 28. Em relação ao fechamento anterior, esses valores representavam potenciais de valorização de 26,4% e 23,3%, respectivamente. As instituições mantêm recomendação de compra, mas ressaltam que a avaliação depende da política comercial que será adotada pelos três países.

Para quem acompanha a Gerdau, os próximos pontos de atenção são os termos efetivos de um eventual acordo, a possibilidade de cotas e o rumo das revisões do USMCA. A queda da ação nesta quinta-feira reflete principalmente a incerteza sobre tarifas e concorrência; por enquanto, as análises disponíveis não apontam uma mudança completa na dinâmica operacional da empresa.