As ações da Moura Dubeux (MDNE3) subiam na manhã desta sexta-feira (9), após a incorporadora divulgar a prévia operacional do terceiro trimestre de 2026. Por volta das 10h20, os papéis avançavam cerca de 1,6%, a R$ 30,63, mesmo com vendas menores que as de um ano antes e avaliações cautelosas de parte dos analistas. Os dados de lançamentos e a concentração de projetos no fim do trimestre ajudam a explicar a leitura dividida sobre os resultados.
Lançamentos crescem, mas vendas recuam no trimestre
Entre julho e setembro, a empresa lançou oito projetos, com Valor Geral de Vendas (VGV) bruto de R$ 1,63 bilhão e líquido de R$ 1,55 bilhão. Os dois valores cresceram 16% em relação ao terceiro trimestre de 2025. Foram colocadas no mercado 2.398 unidades, alta anual de 72%; cerca de 40% dos lançamentos, porém, ocorreram nas duas últimas semanas do período.
As vendas líquidas somaram R$ 841 milhões, queda de 22% ante o 3T25. A velocidade de vendas sobre a oferta (VSO) — indicador da parcela do estoque vendida em determinado período — ficou em 15,3%, abaixo dos 25,7% registrados um ano antes. A divulgação não detalha uma comparação trimestral para esse indicador.
Analistas divergem sobre o peso dos números
O Bradesco BBI considerou a prévia amplamente em linha com as expectativas e avaliou que a desaceleração das vendas parece estar ligada à chegada tardia dos lançamentos das marcas Ún1ca e Mood. Como os empreendimentos foram colocados à venda perto do fim do trimestre, houve menos tempo para convertê-los em vendas dentro do período.
O BTG Pactual classificou os dados como razoáveis, mas abaixo de suas projeções. Para o banco, as vendas ficaram 12% aquém do esperado, enquanto os lançamentos superaram as estimativas em 11%. A instituição também apontou que a VSO próxima de 15% foi influenciada pela concentração de lançamentos na última semana do trimestre.
Compra de terreno explica parte da saída de caixa
A Moura Dubeux teve consumo de caixa de R$ 170 milhões entre julho e setembro, sem incluir dividendos e recompras de ações. Desse total, R$ 97 milhões foram usados na aquisição de um terreno em Salvador, valor pago à vista. O BTG estimava consumo de R$ 150 milhões, portanto a cifra divulgada ficou próxima, embora acima da projeção do banco.
O Bradesco BBI calcula que, sem a compra do terreno, a saída de caixa teria sido de R$ 73 milhões. O banco também associou o aumento dos distratos — cancelamentos de contratos de compra — às entregas de empreendimentos de média e alta renda. Eles somaram R$ 76 milhões, o equivalente a 8,3% das vendas brutas no trimestre.
Alta das ações contrasta com avaliações cautelosas
Apesar dos pontos de atenção, as ações subiam cerca de 1,6% às 10h20. No mesmo horário, o Ibovespa avançava 1%, aos 208.207 pontos. O movimento mostra a reação dos papéis naquele momento, mas não elimina as diferenças entre os indicadores: os lançamentos cresceram, enquanto vendas e VSO recuaram na comparação anual.
O BBI afirmou esperar reação neutra aos dados e estimou que a ação negociava a cerca de 4,9 vezes o lucro projetado para 2027. Já o BTG destacou que, apesar do consumo de caixa, a empresa mantém balanço sólido e tem posição relevante no Nordeste. Essas avaliações ajudam a contextualizar a leitura dos bancos, mas não determinam o desempenho futuro do papel.
O que acompanhar após a prévia operacional
Para quem investe, a questão central é observar se os projetos lançados perto do fim do trimestre se transformarão em vendas nos períodos seguintes. A conversão desses empreendimentos pode ajudar a esclarecer se a queda da VSO foi principalmente efeito do calendário ou se a demanda permanece mais fraca.
Também será importante acompanhar a evolução do caixa e dos distratos, além dos próximos resultados da companhia. A compra do terreno em Salvador teve peso relevante no desembolso do trimestre, mas os dados divulgados não permitem antecipar como esse investimento afetará os resultados futuros. A alta das ações nesta manhã, por si só, não resolve essas incertezas.
