A A5X planeja iniciar negociações no segundo trimestre de 2027, começando por derivativos, contratos ligados à variação de ativos como ações, moedas e índices. A estreia pode ampliar a concorrência em um segmento hoje concentrado na B3, mas depende de testes, integrações com participantes do mercado e autorização regulatória.
Estreia será focada em contratos, não em ações à vista
Apesar de ser chamada de nova bolsa, a A5X não pretende começar com a negociação direta de ações, como ocorre no mercado à vista da B3. O plano inicial prevê contratos futuros e opções relacionados a índices brasileiros e internacionais, ações, moedas, juros e criptomoedas.
Esses instrumentos permitem negociar com base na variação de um ativo ou indicador, sem necessariamente comprá-lo. Podem ser usados para buscar ganhos com mudanças de preço ou para proteger uma carteira contra oscilações. Os contratos previstos terão liquidação financeira: as partes acertam em dinheiro a diferença apurada, sem entrega física do ativo de referência.
Nova rodada avaliou a empresa em R$ 2,7 bilhões
A A5X captou R$ 360 milhões em uma rodada liderada por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek. O aporte avaliou a empresa em R$ 2,7 bilhões e elevou para mais de R$ 730 milhões o total captado desde a criação do projeto. Os recursos devem financiar o lançamento, o capital regulatório e os primeiros anos de funcionamento.
Entre os investidores também estão XP, Ideal, ABN Amro Clearing, Jump Trading, Optiver, XTX Markets e IMC. A empresa afirma que parte deles participa da construção da plataforma e do desenvolvimento dos produtos. Algumas dessas instituições, como Jump Trading, Optiver e XTX, poderão atuar como formadoras de mercado, ajudando a manter compradores e vendedores ativos nos contratos.
Liquidez será decisiva para atrair negociações
Liquidez é a facilidade de comprar ou vender um ativo sem provocar grandes mudanças em seu preço. Para uma bolsa nova, não basta disponibilizar sistemas e contratos: é preciso atrair participantes dispostos a negociar com frequência. Sem atividade suficiente, investidores podem ter mais dificuldade para fechar operações pelos preços desejados.
A A5X está construindo também uma câmara de compensação própria. Essa estrutura deverá calcular garantias, administrar riscos e liquidar as operações, além de apoiar o processamento das ordens. A empresa tem mais de 200 funcionários e reúne fundadores com experiência no mercado financeiro, incluindo ex-sócios da XP e o fundador da corretora Ideal.
Tecnologia combina sistemas próprios e da Bolsa de Londres
A plataforma reunirá ferramentas desenvolvidas pela própria A5X e tecnologia do London Stock Exchange Group, controlador da Bolsa de Londres. Entre os componentes previstos estão sistemas para controle de risco antes das negociações, processamento de ordens, distribuição de informações de mercado e monitoramento das operações.
O processamento de ordens de baixa latência busca reduzir o tempo entre o envio de uma ordem e sua execução. Esse tipo de recurso é relevante em mercados de derivativos, nos quais preços podem mudar rapidamente. A tecnologia, porém, é apenas parte da preparação: conexões com os participantes e aprovações também fazem parte do caminho até o início das operações.
O que falta até a previsão de 2027
O segundo trimestre de 2027 é uma previsão da companhia, não uma garantia de estreia. O cronograma depende da conclusão dos testes, das integrações com instituições do mercado e do processo de autorização regulatória. A previsão inicial era começar em 2026, mas foi transferida para 2027 diante da complexidade técnica e regulatória do projeto.
Para quem investe, a mudança mais concreta, por enquanto, é a perspectiva de uma nova infraestrutura para negociar derivativos — não a abertura imediata de uma alternativa para comprar ações à vista. Os próximos passos serão acompanhar as autorizações, a preparação dos sistemas e a capacidade de atrair participantes e liquidez antes da data prevista.
