A Andreessen Horowitz, conhecida como a16z, lançou nesta quinta-feira (28) o Machine Age Fund, um fundo de US$ 1,1 bilhão voltado a startups de hardware ligadas à inteligência artificial. O veículo financiará desde chips, memória e redes até robôs, data centers e dispositivos domésticos, sinalizando uma mudança na tese da gestora: a próxima etapa da IA dependerá menos apenas de programas e mais de máquinas capazes de operar no mundo físico.

Fundo mira a infraestrutura por trás da inteligência artificial

O novo fundo pretende investir em toda a cadeia necessária para que sistemas de IA funcionem, incluindo armazenamento de dados, equipamentos elétricos e soluções de resfriamento. A estratégia também alcança a camada de geração e distribuição de energia, diante do aumento do consumo dos centros de processamento.

A avaliação da a16z é que a infraestrutura atual enfrenta limites simultâneos de oferta, materiais, capacidade energética e da própria ciência da computação. Na prática, não basta desenvolver modelos mais sofisticados: é preciso construir os equipamentos e as instalações capazes de processar suas informações em escala.

Racks mais potentes pressionam energia e resfriamento

Um rack é a estrutura que reúne servidores e outros equipamentos em um data center. De acordo com a gestora, a densidade computacional por rack cresceu 28 vezes entre sistemas equipados com chips Nvidia H100 e a próxima geração baseada em Rubin.

O avanço aumenta a pressão sobre cabos, redes e sistemas de refrigeração. Racks que antes consumiam entre 5 quilowatts e 10 quilowatts passaram a exigir aproximadamente 100 quilowatts a 250 quilowatts nos sistemas atuais. A expectativa apresentada é de que essa demanda chegue a 1 megawatt por rack nos próximos três anos.

Data centers entram em uma escala maior

A expansão não ocorre apenas dentro dos racks. Os data centers, que antes operavam com dezenas de megawatts, estão avançando para instalações de centenas de megawatts e, em alguns casos, para complexos com capacidade na escala de gigawatts.

Esse movimento cria oportunidades para empresas que fornecem terrenos, equipamentos elétricos, sistemas de refrigeração, materiais e soluções de conectividade. Ao mesmo tempo, torna a disponibilidade de energia um fator decisivo para a instalação de novos projetos de computação.

a16z oficializa uma frente além do software

A criação do fundo representa uma mudança relevante para uma gestora cuja reputação foi construída principalmente com investimentos em software. A a16z afirma, porém, que já acompanhava empresas de hardware e que esse segmento passou a representar mais de 20% das oportunidades analisadas pela firma.

Entre os investimentos recentes citados estão Unconventional AI, Nexthop, Volta, Atoms, Heron Power e Mind Robotics. A gestora também já apoiou empresas como Skydio, SpaceX, Anduril e Waymo, que atuam em áreas como drones, espaço, defesa e veículos autônomos.

O que o fundo sinaliza para investidores e empresas

O lançamento reforça a percepção de que a expansão da IA pode distribuir valor por uma cadeia mais ampla do que as empresas de aplicativos e modelos. Fabricantes de chips, fornecedores de memória, redes, energia e robótica podem ganhar relevância à medida que os investimentos em computação aumentam.

Para quem acompanha o mercado, o ponto central é que a nova fase exige capital elevado, ciclos de desenvolvimento mais longos e capacidade industrial. A a16z diz que pretende usar sua rede comercial, de talentos e de fornecedores para ajudar fundadores de hardware a superar essas barreiras. O avanço do setor dependerá, a partir de agora, não apenas de novas ideias, mas também de energia, componentes e infraestrutura suficientes para colocá-las em operação.