Em leilão realizado na B3, o Consórcio ZAD venceu a disputa pela concessão da Zona Azul de Feira de Santana, no interior da Bahia, com uma proposta de R$ 134,7 milhões. O resultado encerra a etapa de escolha do parceiro privado que vai operar o estacionamento rotativo da cidade e destaca o uso da bolsa como plataforma de negociação de ativos públicos.
O que é a Zona Azul e por que ela foi concedida
A Zona Azul é o sistema de estacionamento rotativo pago em vias públicas. O motorista paga uma tarifa para ocupar uma vaga por tempo limitado, o que aumenta a rotatividade e organiza o trânsito em áreas de maior movimento.
Na concessão, o poder público transfere à iniciativa privada a operação desse serviço por um prazo determinado. A empresa fica responsável pela implantação, manutenção e fiscalização, enquanto o município define as regras e acompanha o cumprimento do contrato. É um modelo comum para serviços que têm arrecadação própria, como estacionamento.
Por que o leilão acontece na B3
A B3 não é apenas a bolsa de valores. Ela também opera como plataforma de leilões de ativos e concessões, usada por prefeituras e governos estaduais para vender direitos de exploração de serviços públicos.
Nesse ambiente, os interessados apresentam lances em um processo aberto e auditado. Isso dá transparência à escolha e permite que o município compare as propostas e selecione a mais vantajosa. No caso de Feira de Santana, o Consórcio ZAD foi o vencedor, mas o registro na B3 indica que a disputa seguiu regras formais de edital, com publicação de resultado.
O que o valor de R$ 134,7 milhões representa
O valor de R$ 134,7 milhões é o montante da proposta vencedora. Em concessões de estacionamento, esse número pode combinar uma outorga inicial paga ao município e parcelas ao longo do contrato, conforme o desenho do edital.
Para as contas públicas, a entrada desse recurso é relevante, mas o contrato não se resume ao valor. Ele também define obrigações como metas de qualidade, regras de reajuste da tarifa e a forma de fiscalização. Ou seja, o sucesso do negócio depende tanto do preço pago pelo consórcio quanto da capacidade da prefeitura de cobrar a execução correta do serviço.
Os riscos da operação para o consórcio e para a cidade
O principal risco do consórcio é a demanda real por vagas. Se a arrecadação da tarifa ficar abaixo do projetado, o retorno sobre o investimento pode demorar mais do que o planejado. Já para o município, o risco está na fiscalização: é preciso garantir que a cobrança seja feita dentro das regras e que o serviço não perca qualidade.
Há também o impacto sobre o motorista. Em qualquer concessão, a tarifa é a fonte de receita do operador. O equilíbrio entre o preço cobrado e o serviço entregue é o ponto mais sensível do contrato, e será testado na operação do dia a dia.
O que vem depois do leilão
Com o leilão concluído, prefeitura e Consórcio ZAD partem para a formalização do contrato. A partir daí, a operação da Zona Azul passa a ser responsabilidade do consórcio, sob supervisão do poder público.
Para quem acompanha finanças públicas, o desfecho em Feira de Santana é um exemplo de como concessões urbanas podem ser precificadas em mercado aberto. O próximo passo será acompanhar a execução do contrato e verificar se o valor arrecadado se converte em melhorias concretas na mobilidade e na gestão do estacionamento local.
