A 3corações concluiu nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a aquisição das marcas Yoki e Kitano, da General Mills, por R$ 800 milhões. Anunciada em março, a operação amplia a presença do grupo brasileiro no mercado de alimentos e reduz sua dependência do café, ao incorporar marcas já consolidadas no varejo.
O que a 3corações passa a controlar
Além de Yoki e Kitano, a transação inclui outras estruturas da General Mills no Brasil, entre elas unidades da cadeia de suprimentos localizadas em Pouso Alegre (MG) e Campo Novo do Parecis (MT). A operação também envolve a integração dos profissionais ligados às atividades adquiridas.
A Yoki é líder em categorias como farofa, pipoca de micro-ondas, batata palha e farinhas. A Kitano, por sua vez, tem atuação concentrada em temperos naturais. Com as duas marcas, a 3corações passa a disputar diferentes momentos de consumo e amplia sua exposição a produtos presentes na rotina dos supermercados.
Como a compra diversifica o negócio da 3corações
A 3corações é uma joint venture, ou associação empresarial, formada pela brasileira São Miguel e pela holandesa Strauss Coffee, controlada pelo grupo israelense Strauss. Até agora, sua expansão estava principalmente ligada ao café. A aquisição cria uma nova frente de crescimento em categorias de alimentos que não dependem diretamente do consumo de café.
O mecanismo econômico por trás da estratégia é o aproveitamento da estrutura que a companhia já possui. Redes de distribuição, relacionamento com varejistas e presença nos pontos de venda podem ser usados para levar Yoki e Kitano ao mercado, enquanto as marcas adquiridas acrescentam produtos ao portfólio da empresa.
O presidente da 3corações, Pedro Lima, afirmou que a companhia pretende manter as marcas e acelerar o desenvolvimento das operações, em vez de transformá-las apenas em extensões do negócio de cafés. A empresa também declarou que receberá os profissionais que passam a integrar o grupo.
Por que a General Mills vendeu as marcas
O movimento faz parte da reorganização global do portfólio da General Mills. A multinacional americana afirmou que vem concentrando recursos nos negócios considerados mais promissores e que, desde o ano fiscal de 2018, movimentou aproximadamente um terço de sua base de vendas líquidas por meio de aquisições e desinvestimentos.
Para a General Mills, a venda representa a saída de uma operação brasileira dentro desse processo de revisão. Para a 3corações, o negócio representa o movimento oposto: ampliar a presença em alimentos e utilizar as novas marcas para construir uma plataforma de crescimento mais diversificada.
Como o mercado reagiu à conclusão
As ações da General Mills, negociadas em Nova York sob o código GIS, recuavam 4,10% nesta quinta-feira, a US$ 38,91. No acumulado de 2026 até a data, os papéis caíam 14,87%; em 12 meses, a queda era de 21,77%; e, em cinco anos, de 32,63%.
Já as ações do Strauss Group, listado na Bolsa de Tel Aviv sob o código STRS, fecharam o pregão de 3 de setembro em alta de 0,80%. A companhia é uma das controladoras indiretas da 3corações. A operação teve o Deutsche Bank como assessor financeiro exclusivo da compradora.
O que vem depois da compra
Apesar do anúncio de conclusão, o comunicado informa que a transação está sujeita à aprovação das autoridades regulatórias competentes e a outras condições usuais de fechamento. Assim, a integração definitiva dos ativos ainda depende do cumprimento dessas etapas.
Para quem acompanha a 3corações, o principal ponto será observar se Yoki e Kitano conseguirão preservar sua força entre os consumidores e, ao mesmo tempo, gerar crescimento para o grupo. A companhia terá de combinar a manutenção da identidade das marcas com o uso de sua estrutura de distribuição, enquanto a General Mills seguirá sua estratégia de enxugamento e reorganização global.
