198 empresas brasileiras começaram a exportar para países africanos em 2025, em um movimento de diversificação das vendas externas que ganhou força após o aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O avanço envolve setores como alimentos, máquinas, manufaturados, plástico e saúde e pode crescer com novas rodadas de negócios no continente.
Alimentos lideram a entrada de novas exportadoras
Entre as companhias apoiadas pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, a maior concentração de estreantes ocorreu em produtos alimentícios e animais vivos: 44 empresas passaram a vender para a África no ano passado. Depois aparecem obras diversas, com 41 companhias; máquinas e equipamentos de transporte, com 37; e artigos manufaturados classificados, com 30.
Os números representam apenas as empresas atendidas pela agência e, portanto, não abrangem todo o universo de exportadoras brasileiras. No total, 1.149 empresas apoiadas pela ApexBrasil exportaram para a África em 2025, movimentando US$ 8,58 bilhões em vendas ao continente.
Angola é porta de entrada para alimentos
A escolha do primeiro mercado varia de acordo com o setor. Angola foi o principal destino entre as empresas de alimentos e animais vivos: 115 das 204 companhias desse segmento venderam para o país, o equivalente a 56,4% do total da categoria considerada.
Nos demais grupos, a África do Sul aparece como o principal ponto de entrada. O país recebeu produtos de 70 empresas de máquinas e equipamentos de transporte, ou 60,9% do segmento. Também concentrou 72 companhias de obras diversas, equivalentes a 60%, e 50 exportadoras de artigos manufaturados, ou 62,5% da categoria.
Novos mercados reduzem a concentração das vendas
A concentração inicial em Angola e na África do Sul indica que as empresas brasileiras começam pelos mercados com maior estrutura econômica e comercial. A partir desses polos, a estratégia pode avançar para outros países, à medida que as companhias conhecem as regras locais, formam parceiros e constroem canais de distribuição.
Esse processo é chamado de diversificação exportadora: ao vender para mais destinos, uma empresa reduz sua dependência de poucos compradores. O movimento ganhou importância com a redução do espaço para produtos brasileiros nos Estados Unidos após o tarifaço, embora a África ainda represente uma parcela pequena das vendas externas de algumas cadeias industriais.
Plástico e saúde buscam oportunidades no continente
A indústria do plástico está entre os setores que passaram a tratar a África como uma frente de expansão. A cadeia de transformados plásticos e resinas exportou US$ 7,7 bilhões em 2025, mas o continente africano ainda responde por uma fatia reduzida desse comércio. Rodadas de negócios podem ampliar a presença brasileira em mercados com demanda crescente.
Na saúde, a Fundação Oswaldo Cruz avalia vender medicamentos e diagnósticos, além de estabelecer acordos de transferência de tecnologia e produção local. Esse modelo vai além da exportação de mercadorias: envolve parcerias duradouras e a participação brasileira na formação de cadeias produtivas dentro dos países africanos.
Missões comerciais podem ampliar o movimento
Em agosto, uma missão empresarial visitou Angola, África do Sul, Zâmbia, Moçambique e Etiópia. Foram identificadas 784 oportunidades comerciais nesses cinco mercados, e encontros entre empresários brasileiros e empresas locais deram continuidade às negociações.
A abertura de uma unidade em Adis Abeba, capital da Etiópia e sede da União Africana, também amplia a presença institucional brasileira na região. Para quem investe, trabalha ou acompanha a economia, o avanço ainda é inicial, mas sinaliza uma tentativa de abrir novos canais para a indústria e o agronegócio. O próximo passo será transformar as oportunidades mapeadas em contratos recorrentes e ampliar o número de empresas exportadoras.
