Dez empresas, incluindo bancos, TIM, B3, Localiza, Klabin e Gerdau, pagaram mais de R$ 100 milhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) em cada um dos cinco trimestres entre o 2T25 e o 2T26. Dentro desse grupo de pagamentos recorrentes, Bradesco, Santander Brasil e TIM lideraram os desembolsos no segundo trimestre de 2026, mostrando quais companhias combinaram maior volume e frequência de distribuição aos acionistas.

Bradesco liderou o ranking de pagamentos no 2T26

O Bradesco desembolsou R$ 3,104 bilhões no 2T26, seguido pelo Santander Brasil, com R$ 1,738 bilhão, e pela TIM, com R$ 1,153 bilhão. Itaú Unibanco, com R$ 1,061 bilhão, e Caixa Seguridade, com R$ 990 milhões, completaram as cinco primeiras posições.

O grupo analisado também inclui B3, Localiza, Allos, Klabin e Gerdau. Juntas, as dez empresas pagaram R$ 10,444 bilhões no trimestre encerrado em junho de 2026. O critério não mede apenas o tamanho do dividendo em relação ao preço da ação, mas o dinheiro efetivamente distribuído e a permanência de desembolsos acima de R$ 100 milhões.

Petrobras ficou fora para evitar distorção na comparação

A Petrobras não entrou no Top 10 porque a escala de seus pagamentos é muito superior à das demais companhias. Ainda assim, a estatal desembolsou R$ 7,675 bilhões no 2T26, valor equivalente a cerca de 2,5 vezes o pagamento do Bradesco e a 73,5% do total distribuído pelas dez empresas selecionadas.

A exclusão permite observar com mais clareza as companhias que mantiveram desembolsos relevantes em todos os trimestres. Também evita que uma única empresa, influenciada por resultados e políticas específicas de distribuição, domine a leitura do conjunto.

Pagamentos recorrentes não significam valores estáveis

Embora todas as empresas tenham superado R$ 100 milhões em cada período, os valores oscilaram bastante. As dez companhias pagaram R$ 8,5 bilhões no 2T25, R$ 17,3 bilhões no 3T25 e atingiram R$ 35,2 bilhões no 4T25. Depois do pico, o volume caiu para R$ 13,3 bilhões no 1T26 e R$ 10,4 bilhões no 2T26 — uma redução de aproximadamente 70% em relação ao último trimestre de 2025.

Isso significa que recorrência não deve ser confundida com previsibilidade. Uma empresa pode distribuir valores em todos os trimestres, mas alternar pagamentos ordinários, extraordinários e antecipações conforme o lucro, o caixa disponível e as decisões de sua administração.

Antecipação antes da mudança tributária inflou o 4T25

O pico de pagamentos no quarto trimestre de 2025 esteve associado à antecipação de dividendos antes da entrada em vigor de novas regras de tributação em 2026. Parte dos recursos que poderia ser distribuída posteriormente foi paga ainda no ano passado.

O movimento foi especialmente forte no Itaú Unibanco: os desembolsos passaram de R$ 6,9 bilhões no 3T25 para R$ 20,7 bilhões no 4T25 e recuaram para R$ 4 bilhões no 1T26. No Santander, foram de R$ 3,9 bilhões para R$ 6 bilhões e depois para R$ 2,2 bilhões. Na TIM, subiram de R$ 961 milhões para R$ 2,8 bilhões antes de cair para R$ 478 milhões.

O que os números indicam para quem acompanha ações

Considerando uma amostra mais ampla e excluindo a Petrobras, os desembolsos chegaram a R$ 94,6 bilhões no 4T25, ante R$ 54,5 bilhões no 3T25. Depois, caíram para R$ 45,3 bilhões no 1T26 e R$ 32,4 bilhões no 2T26. Com a estatal, o total do mercado analisado foi de R$ 40,1 bilhões no 2T26, o menor dos cinco trimestres.

Para o investidor, o levantamento ajuda a separar empresas que distribuíram muito em um único momento daquelas com histórico recente de pagamentos relevantes. Ainda assim, o ranking não garante dividendos futuros: os próximos desembolsos dependerão dos resultados, do caixa, das regras tributárias e das decisões das companhias.