A percepção de maior risco nas eleições de 2026 e a queda de ações que divulgaram resultados passaram a explicar a baixa do Ibovespa nesta quinta-feira (13), mesmo após dados mais comportados de inflação nos Estados Unidos. Às 13h30, o índice recuava 0,51%, aos 166.643 pontos, depois de oscilar entre a mínima de 166.197 e a máxima de 168.515 pontos.

Eleições aumentam a cautela com o cenário fiscal

O mercado passou a dar mais peso ao discurso dos candidatos à Presidência e à possibilidade de mudanças na política econômica após a eleição. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, aparece no centro dessa avaliação ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como seu principal opositor no material analisado.

Para Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, investidores estão preocupados com a situação fiscal e têm dúvidas sobre a existência de um novo desenho para as contas públicas. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, afirmou que um sinal de recuperação do arcabouço fiscal poderia funcionar como gatilho positivo para a bolsa, mas que esse tema dificilmente será priorizado pelos candidatos neste momento, por estar próximo do período eleitoral.

Inflação dos EUA melhora ambiente para juros

Os dados recentes de inflação ao consumidor, o CPI, divulgados na quarta-feira, e ao produtor, o PPI, informado nesta quinta, reforçaram a leitura de que o Federal Reserve pode manter os juros americanos entre 3,5% e 3,75% nas próximas reuniões. Com isso, diminuiu a percepção de que haverá uma nova alta já em setembro.

Juros estáveis nos Estados Unidos tendem a reduzir a pressão sobre países emergentes, porque diminuem o incentivo para investidores migrarem recursos para ativos americanos. No Brasil, esse ambiente também pode dar mais espaço para o Copom prosseguir com cortes da Selic, desde que a situação doméstica continue permitindo. A avaliação predominante é de uma redução de 0,25 ponto percentual, para 13,75%.

Vendas do varejo sustentam aposta em corte da Selic

As vendas do varejo brasileiro cresceram 0,45% em junho na comparação com maio e avançaram 2,9% ante junho de 2025, conforme o IBGE. Apesar do desempenho acima do esperado, os dados foram interpretados como compatíveis com uma desaceleração gradual da atividade econômica.

Quando a Selic cai, aplicações de renda fixa atreladas diretamente aos juros passam a oferecer remuneração menor. Em contrapartida, o custo de crédito para empresas e consumidores tende a diminuir com o tempo, o que pode estimular investimentos e consumo. Para a bolsa, juros mais baixos reduzem a atratividade relativa da renda fixa, mas a melhora depende da confiança na economia e nas contas públicas.

Sabesp, Banco do Brasil e Hapvida recuam após balanços

Entre as principais pressões do pregão, a Sabesp (SBSP3) recuava 7,7%. A companhia registrou lucro líquido de R$ 1,46 bilhão no segundo trimestre, queda de 31,4% em relação ao mesmo período de 2025, em meio aos investimentos necessários para cumprir as metas de universalização dos serviços em São Paulo até 2029.

O Banco do Brasil (BBAS3) caía 3,68%, mesmo com lucro acima das expectativas. A reação negativa refletia a inadimplência ainda elevada, principalmente no agronegócio e entre pessoas físicas. A Hapvida (HAPV3) despencava 23,38% após o lucro do segundo trimestre cair 95,8% em um ano, para R$ 12,5 milhões, acompanhado de aumento do endividamento. Na direção oposta, a Rede D’Or subia 5,94%, com lucro líquido ajustado de R$ 1,3 bilhão, alta de 8,5% em um ano.

Petróleo cai e próximo passo depende do ambiente doméstico

O recuo de cerca de 1% do petróleo também pesou sobre ações ligadas à commodity. O barril do Brent era negociado a US$ 87,99, com baixa de 1,11%, em meio ao impasse no Oriente Médio, estoques mais elevados e sinais de menor demanda.

Assim, o Ibovespa ficou dividido entre um exterior mais favorável aos emergentes e fatores domésticos de maior peso: eleições, dúvidas fiscais e resultados corporativos desiguais. Para investidores, trabalhadores e consumidores, os próximos sinais relevantes serão a evolução das expectativas eleitorais, a condução das contas públicas e as decisões do Copom e do Fed.

Impacto para a sociedade

A expectativa sobre os juros influencia o custo de empréstimos, financiamentos e cartões, além da remuneração de aplicações de renda fixa. Já a incerteza fiscal pode afetar o dólar e, com isso, os preços de produtos importados e de itens ligados a commodities. A desaceleração gradual da economia também interfere nas decisões de contratação, consumo e investimento das empresas.