A BitGo registrou forte alta de receita no segundo trimestre de 2026, após ampliar o uso de inteligência artificial em suas operações, mas a tecnologia ainda não foi a responsável direta pelo avanço. A empresa também apresentou prejuízo líquido, pressionada pela desvalorização de ativos digitais, mostrando que o crescimento da atividade não se converteu integralmente em resultado positivo.
Receita sobe 79,6% em um ano
A companhia de infraestrutura para criptomoedas teve receita de US$ 4,33 bilhões no segundo trimestre de 2026. O valor representa aumento de 79,6% sobre os US$ 2,41 bilhões registrados no mesmo período de 2025 e avanço de 14,7% em relação ao primeiro trimestre deste ano.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento das vendas de ativos digitais e criptomoedas. Também contribuiu a expansão do negócio de stablecoin-as-a-service, serviço que permite a clientes utilizar a estrutura da BitGo para operações com moedas digitais projetadas para manter valor próximo ao de uma moeda tradicional.
Inteligência artificial ajudou na eficiência, não na receita
No começo de junho, a BitGo anunciou uma mudança de estratégia para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional com inteligência artificial. A empresa afirmou que ampliou o uso da tecnologia em engenharia e operações para acelerar o desenvolvimento de softwares, automatizar tarefas manuais e melhorar processos internos.
Esse movimento, porém, não foi o principal motor do aumento da receita no trimestre. A IA aparece, até agora, como uma ferramenta para reduzir despesas e tornar a operação mais produtiva, enquanto o crescimento do faturamento veio sobretudo das transações com ativos digitais e do negócio de stablecoins.
Prejuízo diminui, mas geração operacional continua negativa
A BitGo teve prejuízo líquido de US$ 19 milhões no segundo trimestre, equivalente a US$ 0,16 por ação. No mesmo trimestre de 2025, a empresa havia registrado lucro líquido de US$ 38,3 milhões. Apesar da piora na comparação anual, o resultado representou melhora em relação ao prejuízo de US$ 60,7 milhões do primeiro trimestre de 2026.
A desvalorização de ativos digitais contribuiu para o resultado negativo. Além disso, o Ebitda ajustado, indicador usado para avaliar o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou negativo em US$ 4,2 milhões. Um ano antes, a métrica havia apontado lucro de US$ 3 milhões.
Cortes e reforço da posição financeira
Em junho, a BitGo reduziu sua força de trabalho em 15%, citando mudanças no ecossistema de ativos digitais. O presidente-executivo, Mike Belshe, afirmou que a companhia simplificou a estrutura de custos no segundo trimestre, em uma tentativa de aproximar o crescimento da receita de resultados financeiros mais consistentes.
Ao final do período, a empresa tinha US$ 159 milhões em caixa e US$ 147,7 milhões em bitcoin. Também foi autorizado um programa de recompra de ações de US$ 50 milhões. O diretor financeiro, Ed Reginelli, deixará o cargo em 15 de setembro.
O que observar no segundo semestre
A BitGo informou que o número de clientes aumentou 26% e que os ativos normalizados mantidos em sua plataforma cresceram 31%, para US$ 65,2 bilhões. Esses indicadores sugerem expansão da base de negócios e do volume de ativos sob custódia, mas ainda será necessário acompanhar se esse crescimento produzirá lucro e melhora na geração operacional.
Para o segundo semestre, a empresa afirma que pretende transformar a expansão dos negócios em resultados mais fortes, com disciplina nos custos e na alocação de capital. Na prática, o desempenho dependerá da continuidade das vendas de ativos digitais, da evolução do serviço de stablecoins e da capacidade de a inteligência artificial reduzir despesas sem comprometer a operação.
