Os ETFs de gestão ativa começaram a ganhar espaço no Brasil, em um mercado global que reúne cerca de US$ 22 trilhões em patrimônio. A modalidade combina a negociação em bolsa, característica dos ETFs tradicionais, com a atuação de um gestor que escolhe os ativos e busca superar um índice de referência — um movimento que pode ampliar as opções disponíveis aos investidores brasileiros.
O que diferencia um ETF ativo do modelo tradicional
Os ETFs, ou fundos negociados em bolsa, normalmente seguem uma estratégia passiva: o fundo replica um índice, como o Ibovespa ou o S&P 500. Assim, o investidor obtém exposição a várias empresas, setores ou países sem precisar comprar cada ativo individualmente.
Nos ETFs ativos, o gestor tem liberdade para selecionar ações e alterar a carteira de acordo com sua avaliação do mercado. O objetivo deixa de ser apenas acompanhar um índice e passa a incluir a tentativa de obter retorno superior ao referencial, embora isso também envolva maior dependência das decisões do gestor e não elimine o risco de perdas.
Indústria brasileira cresce, mas ainda é pequena
A indústria de ETFs captou R$ 36,7 bilhões em 2026, ficando atrás apenas dos fundos de renda fixa e dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) em captação. O patrimônio total dos ETFs no Brasil está em torno de R$ 130 bilhões, equivalente a aproximadamente US$ 25,4 bilhões pela cotação de 10 de agosto.
Em escala global, os ETFs somam cerca de US$ 22 trilhões, dos quais aproximadamente US$ 15 trilhões estão nos Estados Unidos. O tamanho desse mercado ajuda a explicar por que o setor brasileiro acompanha as estruturas desenvolvidas no exterior, embora a oferta local ainda esteja em uma etapa inicial.
Regulação ainda impede ETF ativo criado no Brasil
Os ETFs de gestão ativa ainda não são permitidos pela regulamentação brasileira. A discussão, porém, entrou na agenda da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para 2026. A autarquia afirma acompanhar os modelos adotados em outras jurisdições e estudar o tema considerando a evolução do mercado doméstico.
Uma das primeiras exposições desse tipo para o investidor brasileiro surgiu no início de agosto, quando a JPMorgan Asset Management recebeu autorização para listar o JPMorgan U.S. Tech Leaders, sob o código JTEK39. O produto é um BDR que replica, no Brasil, um ETF ativo estrangeiro. Portanto, não se trata ainda de um ETF ativo constituído sob a regulamentação brasileira.
Por que os ETFs ganharam espaço entre investidores
A expansão desses fundos está ligada à busca por diversificação, simplicidade e custos menores. Como as cotas são negociadas diretamente no pregão da B3, a estrutura pode reduzir despesas operacionais e eliminar parte dos custos de distribuição comuns em fundos tradicionais.
O avanço do modelo fee-based, no qual o profissional é remunerado principalmente por uma taxa de assessoria ou gestão patrimonial, também favorece os ETFs. Nesse formato, a remuneração tende a ficar menos ligada à venda de produtos específicos, o que aumenta a importância de instrumentos transparentes para montar carteiras diversificadas.
O que observar antes da expansão dos ETFs ativos
A eventual regulamentação poderá ampliar as alternativas para quem busca estratégias de gestão profissional negociadas em bolsa. Mas o investidor ainda precisará analisar a política do fundo, a liberdade concedida ao gestor, os custos, a exposição geográfica e setorial e a diferença entre o desempenho do produto e seu índice de referência.
O próximo passo é o avanço das discussões entre a CVM e a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Enquanto isso, os produtos estrangeiros acessíveis por BDRs funcionam como uma primeira aproximação ao modelo, sem substituir uma regulamentação específica para ETFs ativos brasileiros.
