As ações da MRV&Co (MRVE3) subiam 6% nesta quinta-feira (13), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, embora a leitura dos analistas sobre os números esteja dividida. O resultado foi pressionado por uma baixa contábil de US$ 110 milhões na operação americana Resia, mas a melhora da operação brasileira ajudou a sustentar a reação positiva dos papéis.

Prejuízo inclui nova baixa contábil da Resia

A companhia registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões entre abril e junho, uma redução de 22,7% em relação ao prejuízo do segundo trimestre de 2025. O principal impacto veio do reconhecimento integral de um impairment, baixa contábil que ajusta o valor de um ativo quando ele deixa de refletir sua capacidade de gerar retorno.

A Resia, braço da MRV nos Estados Unidos que está em processo de encerramento, registrou a perda após vender empreendimentos e terrenos por valores inferiores aos registrados no balanço. No início do processo de venda dos ativos americanos, há cerca de um ano, a companhia já havia reconhecido outro impairment, de US$ 144 milhões.

XP vê balanço fraco, mas aposta em desalavancagem

Para a XP, os números foram fracos principalmente porque a MRV reconheceu de uma só vez as perdas relacionadas às vendas recentes da Resia. A corretora, porém, avalia que a saída dos ativos americanos pode reduzir o endividamento do grupo.

A expectativa da companhia é diminuir a dívida líquida — o total devido menos o caixa disponível — em R$ 1,7 bilhão, para R$ 4,6 bilhões, ante R$ 6,3 bilhões no fim de 2025. A XP também considera possível uma geração de caixa superior a R$ 1,5 bilhão no terceiro trimestre de 2026, sem novos impairments relacionados à Resia.

A instituição manteve indicação de compra para a ação e destacou que os papéis eram negociados a 3,1 vezes o múltiplo preço sobre lucro estimado para 2027. Esse indicador relaciona o valor de mercado da empresa ao lucro projetado e é usado para comparar o preço da ação com sua capacidade esperada de geração de resultados.

BBI destaca recuperação da operação no Brasil

O Bradesco BBI classificou o balanço como “em linha” com suas expectativas. Para o banco, a deterioração nos Estados Unidos foi compensada parcialmente pela evolução do negócio principal no Brasil, especialmente da divisão MRV Incorporação.

A operação brasileira registrou lucro líquido ajustado atribuível aos acionistas de R$ 155 milhões no segundo trimestre, alta de 28,2% sobre o mesmo período de 2025. A margem bruta chegou a 31,2%, avanço de 1 ponto percentual em 12 meses e o maior nível em sete anos.

Mesmo mantendo recomendação de compra, o BBI reduziu o preço-alvo de R$ 14 para R$ 9 por ação. A revisão incorpora a possível liquidação da Resia até o fim de 2027 e estimativas mais conservadoras para os lucros de 2026 e 2027.

Safra vê resultado misto e acompanha margens

O Safra também avaliou o balanço como misto. De um lado, a MRV Brasil superou em 3% as expectativas de receita e apresentou melhora sequencial de 0,4 ponto percentual na margem bruta ajustada.

De outro, o impacto da Resia continuou pesando sobre o resultado consolidado. A divergência entre as análises reflete justamente essa combinação: o negócio brasileiro mostra recuperação operacional, enquanto a operação americana ainda exige baixas, vendas de ativos e redução de dívidas.

O que observar após a alta das ações

Por volta das 10h50, as ações chegaram a avançar 10%, para R$ 4,62, depois de abrirem o pregão a R$ 4,20. A reação sugere que parte do mercado pode estar dando mais peso à melhora no Brasil e à perspectiva de desalavancagem do que ao prejuízo contábil do trimestre.

Para quem acompanha a empresa, os próximos pontos serão a velocidade das vendas e da geração de caixa, a redução da dívida e o encerramento da Resia. A diferença entre o preço-alvo de R$ 9 do BBI e a avaliação da XP mostra que ainda há incerteza relevante sobre o ritmo dessa recuperação.