As ações da Hapvida (HAPV3) caíram 17,22%, para R$ 7,93, e entraram em leilão por oscilação máxima permitida por volta das 10h30 desta quinta-feira (13), liderando as perdas do Ibovespa. A reação veio após a companhia divulgar lucro líquido ajustado de apenas R$ 12,5 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 95,8% em relação ao mesmo período de 2025, em um balanço considerado pior do que o esperado por analistas.

Lucro e geração operacional sofrem forte deterioração

O EBITDA ajustado, indicador que aproxima o resultado das operações antes de juros, impostos, depreciação e amortização, recuou 44,3% na comparação anual, para R$ 504,4 milhões. A queda mostra que a pressão não ficou restrita ao resultado final: a própria atividade operacional da empresa perdeu força.

O principal ponto de atenção foi a sinistralidade caixa, que mede quanto da receita é consumida pelos custos com atendimento médico. O indicador chegou a 75,2% no segundo trimestre, alta de 1,3 ponto percentual ante o segundo trimestre de 2025. Quanto maior essa proporção, menor tende a ser o espaço para a empresa cobrir despesas administrativas, comerciais e outros compromissos e ainda preservar margem.

Também pesaram o aumento das despesas com vendas, além da elevação das provisões para contingências e multas. Esses fatores reduziram a rentabilidade e contribuíram para a queima de caixa destacada nas avaliações iniciais sobre o balanço.

Por que o resultado ficou abaixo das projeções

O Bradesco BBI classificou os números como negativos, destacando que o EBITDA ficou 18% abaixo da estimativa do banco. Na avaliação dos analistas, o resultado foi afetado principalmente pelo avanço da sinistralidade, pelas despesas comerciais e pelas provisões adicionais.

A leitura é que a Hapvida ainda está enfrentando dificuldades para ajustar uma parcela deficitária de sua carteira. Em outras palavras, existem contratos cuja receita não tem sido suficiente para compensar os custos dos serviços oferecidos. A manutenção desses contratos limita a recuperação das margens, mesmo quando a empresa tenta controlar despesas em outras áreas.

Plano para contratos deficitários pode melhorar as margens

Apesar da reação negativa ao balanço, os analistas Marcio Osako e Larrisa Monte apontaram um dado operacional melhor do que o esperado: a perda líquida de 16 mil vidas entre abril e junho de 2026. O número de beneficiários é relevante para a receita, mas o crescimento da base, por si só, não garante maior lucro quando os contratos têm custos elevados.

O principal potencial de recuperação está no plano de reajustar ou cancelar contratos que atualmente geram prejuízo. A Hapvida pretende revisar, nos próximos meses, acordos que abrangem 947 mil vidas, ou 11% da base. Segundo a avaliação dos analistas, essa movimentação poderia recuperar cerca de 0,9 ponto percentual da margem estrutural da companhia.

Mercado passa a cobrar evidências de recuperação

A forte queda da ação indica que os investidores deram mais peso à deterioração atual das operações do que à possibilidade de melhora futura. O mercado costuma reagir não apenas ao lucro informado, mas também à qualidade desse resultado, à capacidade de geração de caixa e à previsibilidade das margens nos próximos trimestres.

No caso da Hapvida, o plano de revisão da carteira pode ajudar a reduzir contratos deficitários, mas também envolve o risco de perda de clientes ou de receitas no curto prazo. Por isso, a execução e os efeitos concretos sobre a sinistralidade serão acompanhados de perto.

O que observar nos próximos trimestres

Para quem investe, os próximos resultados deverão mostrar se a companhia consegue transformar o ajuste dos contratos em menor sinistralidade, recuperação do EBITDA e melhora do caixa. A queda de 17,22% no pregão reflete a frustração com os números do segundo trimestre, mas a trajetória da ação dependerá da evolução operacional e da execução do plano anunciado.

Para o acionista, o caso reforça a diferença entre expansão da carteira e crescimento rentável: aumentar o número de beneficiários não basta quando os custos médicos avançam mais rapidamente que as receitas. A decisão de investimento depende da avaliação individual sobre esses riscos, sem garantia de que a recuperação projetada se concretize.