Gilberto Kassab, candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, confirmou nesta quarta-feira (12) que Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, é cogitado para comandar o Ministério da Fazenda em um eventual governo do ex-governador de Goiás. A confirmação dá mais clareza ao desenho econômico discutido pela campanha, embora a indicação ainda não esteja formalizada e o cargo não tenha sido oficialmente oferecido.

O que Kassab confirmou sobre a possível indicação

Durante um almoço com empresários promovido pela Associação Comercial de São Paulo, na capital paulista, Kassab confirmou que Fraga está entre os nomes avaliados para a Fazenda. O encontro reuniu cerca de mil convidados e contou com a participação de Caiado, que apresentou possíveis integrantes de sua equipe de governo.

Em seu discurso, o candidato afirmou que pretende convidar Fraga para trabalhar ao seu lado, mas não havia especificado qual função seria oferecida ao economista. A confirmação de Kassab, portanto, vincula diretamente o nome do ex-presidente do BC à principal pasta da política econômica da eventual administração.

Por que o nome da Fazenda é relevante para a economia

A Fazenda participa da formulação de medidas sobre orçamento, impostos, gastos públicos e trajetória da dívida. A escolha do ministro costuma ser observada porque pode sinalizar como o governo pretende equilibrar despesas e receitas e qual será sua relação com o Congresso e com o Banco Central.

Quando investidores percebem maior previsibilidade nas contas públicas, a tendência é que as expectativas para inflação, juros e câmbio sejam menos pressionadas. Isso pode afetar o custo de financiamento para empresas e consumidores e também o valor de ativos financeiros. O efeito, porém, dependeria das propostas concretas e da capacidade de execução de um eventual governo, e não apenas do nome escolhido.

Quais outros nomes Caiado citou

Caiado também mencionou o embaixador e ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio Roberto Azevêdo, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o ex-ministro Guilherme Afif Domingos como possíveis integrantes de sua equipe.

Gakiya, contudo, recusou o convite. Ao comentar a indicação, Caiado disse que havia conversado com o promotor e que o chamado, feito espontaneamente, servia para exemplificar o perfil técnico que considera adequado para sua administração. Sobre Afif, destacou a experiência nas áreas de associativismo e de micro e pequenas empresas, embora ainda não tivesse recebido uma resposta definitiva.

Como a campanha descreve sua agenda econômica

Outro tema abordado por Caiado foi a exploração de terras raras. Ele classificou como “burrice e mau-caratismo” a interpretação de que sua proposta entregaria esses recursos aos Estados Unidos.

Segundo o candidato, a intenção seria atrair tecnologia para que o Brasil deixasse de exportar apenas minerais brutos e passasse a fabricar produtos de maior valor agregado, como baterias, semicondutores e turbinas. A estratégia, se adotada, buscaria ampliar o processamento doméstico e gerar atividades industriais além da simples venda da matéria-prima.

O que ainda precisa ser definido até a eleição

A confirmação de Kassab não representa uma nomeação. Caiado ainda teria de vencer a eleição, formar uma base política e definir oficialmente sua equipe e suas prioridades fiscais. Também não foram apresentados, no material divulgado, detalhes sobre metas de resultado das contas públicas, política tributária ou relação com o Banco Central.

Para quem investe, consome ou trabalha, o próximo passo é acompanhar o programa econômico da chapa e as declarações sobre orçamento, impostos, inflação e emprego. A eventual presença de Fraga pode funcionar como um sinal político relevante, mas seus efeitos sobre juros, crédito, câmbio e atividade econômica dependeriam das medidas anunciadas e de sua implementação.

Impacto para a sociedade

A eventual escolha de Armínio Fraga para a Fazenda poderia influenciar a percepção sobre o controle das contas públicas, os juros e o câmbio, fatores que afetam crédito, inflação e investimentos. Como se trata ainda de uma possibilidade eleitoral, não há mudança imediata no orçamento, nos impostos ou nos preços pagos pelas famílias.