As ações da CSN (CSNA3) avançaram 3,04%, para R$ 4,41, na máxima desta quarta-feira (12), antes da divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026, prevista para depois do fechamento do mercado. A alta ocorreu apesar das expectativas de um resultado misto, com melhora nas operações de aço e cimento, mas pressão sobre a mineração.

Alta veio antes de um balanço com sinais opostos

As projeções de Citi, BTG Pactual e Genial Investimentos apontam para desempenhos diferentes entre as divisões da companhia. A siderurgia deve se beneficiar de preços realizados mais altos e de menor concorrência dos produtos importados, enquanto a CSN Cimentos tende a preservar a rentabilidade mesmo com volumes menores.

Na mineração, porém, o cenário é menos favorável. Os preços do minério de ferro e os custos de frete devem pressionar as margens da CSN Mineração (CMIN3), divisão que pode reduzir a contribuição para o resultado consolidado da companhia.

O que as estimativas indicam para a CSN

A Genial estima prejuízo líquido de R$ 567 milhões no segundo trimestre, contra um Ebitda — indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização — de R$ 634 milhões. O valor representaria alta de 9% em relação ao mesmo trimestre de 2025 e de 61% ante o primeiro trimestre de 2026.

A casa também projeta Ebitda ajustado de R$ 2,398 bilhões. A diferença entre os números decorre das metodologias utilizadas para medir o resultado operacional e dos ajustes considerados em cada cálculo. A estimativa incorpora o aumento de 25% nas tarifas de importação de produtos siderúrgicos, implementado em abril, e a menor entrada de aço estrangeiro no mercado brasileiro.

Preços e volume podem ajudar a siderurgia

Com a proteção maior contra importados, a Genial calcula que o preço médio realizado pela CSN pode subir cerca de 5% na comparação trimestral. O volume vendido, por sua vez, teria avanço estimado de 7% ante os três primeiros meses do ano, favorecido pelas medidas antidumping e pela menor participação de produtos estrangeiros.

O Citi projeta Ebitda ajustado de R$ 578 milhões e margem operacional próxima de 10,7%. Para o banco, a companhia pode manter uma margem de dois dígitos no segundo semestre, apoiada por preços mais altos e ganhos de volume. A redução de estoques, com vendas acima da produção, também tende a liberar recursos do capital de giro.

Mineração deve ser o principal ponto de atenção

Para a CSN Mineração, o BTG Pactual estima receita líquida de R$ 4,25 bilhões no segundo trimestre, alta de 5% em um ano. Mesmo com o crescimento da receita, o Ebitda deve recuar 20%, para R$ 1,02 bilhão, devido ao aumento dos custos. Os volumes de minério são projetados em queda de 3%, e o lucro líquido, em R$ 499 milhões.

Esse desempenho mostra como a estabilidade dos preços das commodities pode não ser suficiente para compensar inflação de custos, fretes mais caros e a valorização do real. A mineração, portanto, pode limitar a melhora observada nas demais áreas do grupo.

O que pode mexer com a ação depois do resultado

O economista Gustavo Bertotti avalia que a alta da CSN pode ter sido influenciada pela elevação do preço-alvo da Gerdau pela XP, movimento que reforçou a percepção positiva sobre empresas siderúrgicas. Ele, porém, espera possível reação negativa da CSN após o balanço por causa do endividamento elevado e da dependência do mercado externo.

Também serão acompanhados os efeitos das incertezas sobre a economia chinesa e da continuidade do conflito no Oriente Médio. Um ambiente geopolítico mais estável, especialmente com um eventual cessar-fogo, poderia favorecer os preços das commodities. Para quem investe, o próximo passo é comparar o resultado efetivamente divulgado com essas projeções, observando principalmente margens, dívida, estoques e a contribuição da mineração.