As ações da Vamos (VAMO3) caíram até 0,36%, a R$ 2,79, por volta das 13h desta quarta-feira (12), mesmo após a companhia divulgar um balanço considerado positivo por analistas. Os papéis chegaram a recuar mais de 2% durante a manhã, em uma reação que mostra que a melhora operacional já estava, em grande parte, incorporada aos preços e que outros fatores continuam pesando sobre a tese de investimento.

Lucro e receita superaram as projeções

A Vamos registrou lucro líquido de R$ 101,1 milhões no segundo trimestre de 2026, uma alta de 9% sobre o mesmo período de 2025. O resultado ficou acima da expectativa média de R$ 90 milhões compilada pela LSEG.

O Ebitda, indicador que mede a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, avançou 6,6% em um ano, para R$ 971,5 milhões. O número também superou ligeiramente a projeção de R$ 966 milhões. A receita líquida somou R$ 1,56 bilhão, crescimento anual de 10,8%.

Analistas veem recuperação na operação

Para o Bradesco BBI, o balanço reforçou a recuperação gradual da empresa, especialmente pela maior utilização da frota, pela redução nas retomadas de veículos e pela expansão da margem da divisão de locação. Esses fatores indicam melhora na eficiência do negócio depois de um período mais difícil.

O Citi também avaliou que os números confirmaram a resiliência apontada pela prévia operacional divulgada em julho. Na avaliação do banco, a receita com aluguel veio um pouco acima do esperado e ajudou a impulsionar o Ebitda, em conjunto com a redução de custos. O BTG Pactual destacou que o lucro líquido superou as estimativas da instituição.

Por que a ação caiu mesmo com o balanço

Uma das explicações é que as surpresas positivas já eram amplamente aguardadas pelo mercado. Quando investidores antecipam uma melhora nos resultados, parte desse cenário pode já estar refletida na cotação. Assim, mesmo um balanço acima das projeções pode não provocar alta se não trouxer novidades suficientes para mudar as expectativas futuras.

Além disso, a Vamos encerrou o trimestre com alavancagem de 3,0 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda. A medida compara o endividamento da companhia com sua capacidade de geração operacional de recursos. Embora a empresa tenha gerado mais caixa do que o esperado e concluído um aporte de capital de R$ 600 milhões no trimestre, o nível de dívida continua elevado e pode limitar a evolução dos resultados ao longo de 2026.

Programa do governo afeta mercado de caminhões usados

Outro ponto de atenção citado pelo Citi é o programa Move Brasil, do governo federal. Na avaliação do banco, a iniciativa parece estar reduzindo o apetite de clientes pela compra de caminhões usados e levando parte deles a adiar decisões de aquisição.

Esse movimento pode afetar a operação de seminovos da Vamos. Se os clientes postergam a compra, os veículos permanecem por mais tempo no ciclo de locação ou demoram a ser vendidos, o que pode pressionar o ritmo de renovação da frota e a geração de caixa.

O que o mercado acompanhará daqui para frente

Os analistas também devem monitorar os efeitos do cenário macroeconômico e das eleições presidenciais sobre a demanda, além de atualizações de governança e para o cargo de diretor financeiro. A evolução das reintegrações, a maturação da operação Sempre Novo e a expansão da rede de Seminovos estão entre os demais pontos de atenção.

As avaliações para VAMO3 seguem majoritariamente positivas, mas com ressalvas. O Bradesco BBI, o BTG Pactual, o Itaú BBA e o Safra têm recomendação de compra, enquanto o Citi mantém posição neutra. Os preços-alvo variam de R$ 3,50 a R$ 7,00, ante R$ 2,80 no fechamento de 11 de agosto. Na prática, a reação desta quarta-feira indica que o próximo desempenho da ação dependerá menos do balanço já divulgado e mais da redução da dívida, da demanda por caminhões e do fluxo de notícias macroeconômicas.