Cancelamentos pressionaram as despesas da Direcional, custos operacionais pesaram sobre a LPS Brasil e a margem bruta surpreendeu positivamente na Cury após os balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26). O resultado foi uma reação negativa para DIRR3 e LPSB3 no pregão desta quarta-feira (12), enquanto CURY3 oscilou entre altas e baixas, refletindo a combinação de margens melhores e lucro líquido abaixo das expectativas.

Direcional teve lucro maior, mas abaixo do esperado

A Direcional registrou lucro líquido de R$ 202 milhões no 2T26, alta de 9,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025. Ainda assim, o resultado ficou 16% abaixo da projeção do Goldman Sachs e 11% inferior ao consenso da Bloomberg. Às 12h18, as ações DIRR3 recuavam 3,63%, a R$ 10,61.

O principal ponto de pressão foi o aumento dos cancelamentos. A companhia tem cancelado contratos ligados a financiamentos regionais que não foram pagos e, posteriormente, busca revender os imóveis. Esse processo eleva as despesas com vendas no curto prazo, mesmo que a empresa possa recuperar parte dos ativos em uma nova comercialização.

As despesas operacionais também ficaram acima do esperado. Com isso, o ROE, retorno sobre o patrimônio líquido, ficou em 36%, ante estimativa de 43%. Por outro lado, a alavancagem caiu seis pontos percentuais, para 18%, indicando uma estrutura financeira menos pressionada.

Indicadores operacionais limitaram a reação negativa

O desempenho operacional da Direcional trouxe alguns elementos positivos. Os lançamentos somaram R$ 1,57 bilhão em valor geral de vendas (VGV), alta de 12% em um ano, enquanto as vendas alcançaram R$ 1,37 bilhão, crescimento anual de 6%.

A velocidade de vendas ficou em 23%, abaixo da registrada um ano antes, e os distratos, cancelamentos de contratos de compra e venda, subiram para 16,6% das vendas brutas. Também foi destacado que este foi o primeiro trimestre desde 2024 sem melhora da margem bruta, reforçando a cautela no curto prazo.

LPS Brasil cai com impacto das despesas

As ações da LPS Brasil também ficaram entre as maiores quedas do pregão após a divulgação do balanço. LPSB3 recuava 1,43%, a R$ 1,38, às 12h18.

A leitura do mercado foi afetada pelo peso das despesas no trimestre. Em empresas do setor imobiliário, gastos comerciais e operacionais podem reduzir o lucro mesmo quando a receita cresce, porque o resultado final depende da conversão das vendas em margem e caixa. O movimento das ações refletiu essa preocupação com a qualidade do resultado apresentado.

Margem bruta foi o destaque positivo da Cury

A Cury apresentou receita de R$ 1,7 bilhão, 3% acima da estimativa do Goldman Sachs, e lucro bruto de R$ 668 milhões, 4% superior à projeção. A margem bruta ficou em 39,5%, 0,5 ponto percentual acima do esperado, favorecida pelos preços praticados pelas unidades.

Em outra análise, a margem bruta ajustada subiu 0,5 ponto percentual na comparação trimestral, para 39,8%, ficando 0,3 ponto acima da previsão. Essa evolução foi considerada importante porque ajuda a reduzir a preocupação com o efeito da inflação dos custos de construção sobre a rentabilidade.

O ponto negativo foi o resultado financeiro líquido, que ficou negativo em R$ 22 milhões, contra uma expectativa de resultado negativo em R$ 11 milhões. O lucro líquido foi de R$ 270 milhões, 9% abaixo da projeção do JPMorgan e 5% inferior ao consenso. As despesas financeiras maiores limitaram o benefício da margem.

O que os investidores acompanham agora

A Cury anunciou ainda R$ 190 milhões em dividendos, equivalente a um dividend yield, relação entre dividendos e preço da ação, de 8%. Apesar da distribuição, CURY3 alternava entre altas e baixas durante o pregão, diante da divergência entre a margem melhor e o lucro abaixo das estimativas.

Para a Direcional, analistas avaliam que os indicadores operacionais continuam saudáveis, mas a incerteza sobre os cancelamentos e o período eleitoral pode manter o sentimento pressionado até haver mais visibilidade sobre o terceiro trimestre de 2026. No caso da LPS Brasil, a reação dependerá da capacidade de controlar despesas e transformar as operações em lucro. Os próximos balanços devem mostrar se a melhora de margem da Cury e a redução da alavancagem da Direcional serão sustentadas.