As ações da Direcional (DIRR3) caíram até 7% nesta quarta-feira (12), após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26), mesmo com analistas mantendo uma visão favorável para a companhia e apontando potencial de valorização de até 82%. O movimento fez o papel entrar em leilão e liderar as perdas entre as incorporadoras da B3, em uma reação negativa a alguns indicadores do resultado.

Lucro e receita cresceram, mas despesas pressionaram

Entre abril e junho, a Direcional registrou lucro líquido de R$ 201,6 milhões, alta de 9,7% em relação ao 2T25. A receita líquida avançou 20,1% na mesma comparação, para R$ 1,28 bilhão, enquanto o Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — subiu 27,3%, para R$ 311,5 milhões.

A margem Ebitda, que mostra quanto da receita se transforma nesse resultado operacional, aumentou 1,4 ponto percentual em um ano, para 24,3%. A margem bruta ajustada ficou em 42,8%, praticamente estável ante o primeiro trimestre e 1,1 ponto acima do mesmo período de 2025.

O ponto de pressão ficou nas despesas comerciais, que cresceram 33% em um ano. O aumento refletiu o maior volume de lançamentos, os esforços de vendas e o impacto dos distratos, cancelamentos de contratos que podem exigir ajustes na receita reconhecida.

Margem dos projetos futuros preocupa o Citi

O Citi classificou o balanço como amplamente neutro e destacou que a receita líquida e o lucro bruto ficaram ligeiramente abaixo de suas estimativas e das projeções do mercado. O lucro líquido foi 13% inferior à previsão do banco, principalmente por causa das despesas de vendas mais elevadas.

Outro ponto acompanhado pelos analistas foi a margem do backlog, carteira de vendas já contratadas cujo resultado será reconhecido conforme as obras avançarem. O indicador caiu de 45,2% no 2T25 para 43,9% no 2T26. A preocupação é que os projetos que sustentarão os resultados futuros possam ser menos rentáveis que os empreendimentos que compõem as margens atuais.

A companhia lançou R$ 2,1 bilhões em VGV — Valor Geral de Vendas — no trimestre, alta de 8% em um ano e mais que o dobro dos R$ 1 bilhão do primeiro trimestre. As vendas líquidas somaram R$ 1,65 bilhão, praticamente estáveis na comparação anual, enquanto a velocidade sobre oferta, ou VSO, ficou em 23%.

Geração de caixa reduziu a alavancagem

A geração de caixa foi o principal destaque positivo para BTG Pactual, Itaú BBA, XP e Empiricus. O caixa gerado alcançou R$ 129,6 milhões no trimestre, revertendo o consumo de R$ 76,5 milhões registrado entre janeiro e março. O fluxo de caixa livre ajustado ficou em R$ 85 milhões, acima dos R$ 50 milhões estimados pelo BTG.

Com a entrada de recursos, a dívida líquida caiu de R$ 612,8 milhões no fim do primeiro trimestre para R$ 492,3 milhões em junho. A relação entre dívida líquida e patrimônio líquido recuou de 24% para 18%. A companhia também apresentou retorno sobre o patrimônio líquido anualizado próximo de 35%.

O Itaú BBA destacou ainda que os recebimentos ligados aos repasses para a Caixa Econômica Federal chegaram a R$ 400 milhões em julho, ante uma faixa de R$ 260 milhões a R$ 300 milhões por mês entre abril e junho.

Analistas mantêm visão positiva para DIRR3

Apesar da reação negativa na bolsa, BTG, Itaú BBA, XP e Empiricus mantiveram recomendação de compra para a ação. A Empiricus afirmou que os papéis pareciam exageradamente pressionados e citou o novo programa de recompra, que poderá adquirir até 32 milhões de ações.

Na avaliação da casa, o múltiplo preço sobre lucro (P/L) projetado para o próximo ano está em 5,5 vezes. O Itaú BBA também estima que a melhora da geração de caixa pode abrir espaço para distribuições relevantes de dividendos, com dividend yield estimado em 12% para 2027.

O que acompanhar após a queda das ações

O mercado deve observar nos próximos trimestres se a empresa consegue preservar as margens dos novos projetos, controlar as despesas comerciais e manter a conversão das vendas em caixa. A melhora nos repasses da Caixa é um fator que pode ajudar a reduzir a dívida e sustentar a operação.

Para quem acompanha DIRR3, a queda desta quarta-feira mostra a diferença entre um balanço operacionalmente forte e a reação dos investidores a expectativas futuras. A decisão de investir depende da avaliação individual sobre riscos, preço e execução da companhia; os próximos resultados serão importantes para confirmar se a geração de caixa e a rentabilidade permanecerão consistentes.