A Taesa (TAEE11) registrou lucro líquido regulatório de R$ 206,8 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 28,5% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado pressionou as ações, que recuavam 0,89%, a R$ 37,96, por volta das 11h15 desta quarta-feira (12), e reacendeu dúvidas sobre a capacidade de a transmissora manter dividendos elevados enquanto executa seu plano de investimentos.

Lucro recua, mas receita e geração operacional avançam

Apesar da queda no lucro, a Taesa apresentou crescimento nos principais indicadores operacionais. A receita operacional líquida alcançou R$ 679,2 milhões no segundo trimestre, alta de 9,3% ante os R$ 621,7 milhões registrados um ano antes.

O Ebitda regulatório, medida que acompanha a geração de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 577,2 milhões, avanço de 10,6% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo início da operação das linhas de transmissão Tangará e Ananaí.

O contraste entre o avanço operacional e a queda do lucro indica que a última linha do balanço foi mais afetada por outros componentes financeiros e contábeis. Para o Itaú BBA, porém, o Ebitda veio em linha com as expectativas e o resultado não alterou a tese de investimento para a empresa.

Dividendos anunciados equivalem a 1,6% da ação

A companhia anunciou R$ 207 milhões em dividendos, valor praticamente equivalente ao lucro regulatório reportado no trimestre. Considerando o preço de fechamento de 11 de agosto, a distribuição corresponde a um dividend yield, indicador que mede o retorno dos proventos em relação ao preço da ação, de 1,6%.

A distribuição mantém a Taesa entre as empresas do setor elétrico acompanhadas por sua previsibilidade de fluxo de caixa e pela base de ativos maduros. No segmento de transmissão, a receita tende a ser mais previsível porque está ligada à disponibilidade das linhas, e não diretamente ao volume de energia vendido.

Dívida permanece alta enquanto investimentos avançam

O principal ponto de atenção para os dividendos é a alavancagem. A relação entre dívida líquida e Ebitda proporcional ficou estável em 4,2 vezes no segundo trimestre, mesmo nível do trimestre anterior. O indicador mostra quanto tempo, em termos aproximados de geração operacional, a empresa levaria para quitar sua dívida líquida.

Para a XP, o patamar ainda é elevado e deve continuar pressionado porque a Taesa pretende distribuir proventos ao mesmo tempo em que mantém seu plano de investimentos, ou capex. Na prática, quanto mais recursos forem destinados a novas obras e ao serviço da dívida, menor tende a ser a margem financeira para preservar distribuições historicamente elevadas.

Analistas mantêm visão neutra para TAEE11

O Itaú BBA classificou o balanço como neutro e manteve recomendação equivalente a “Market Perform”, com preço-alvo de R$ 44,88. A instituição destacou que a visibilidade do fluxo de caixa e os ativos maduros ainda sustentam uma política de proventos atraente.

A XP também reiterou recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 40,50 para o fim de 2027. Embora reconheça a qualidade dos ativos e o histórico de dividendos, a casa considera a avaliação atual pouco atrativa diante de outras empresas com potencial de rendimento maior, como a Copasa.

O que o balanço sinaliza para quem acompanha a empresa

O resultado não aponta uma mudança imediata na política de dividendos, já que a distribuição anunciada ficou próxima do lucro do trimestre. A preocupação está no médio prazo: sem novas oportunidades relevantes de reinvestimento, a manutenção de proventos elevados pode limitar o crescimento dos lucros e aumentar a pressão sobre a estrutura de capital.

Para o investidor, o próximo passo é acompanhar a evolução da dívida, a entrada em operação de novos projetos e a capacidade de a Taesa financiar investimentos sem reduzir a distribuição aos acionistas. A queda das ações após o balanço reflete justamente essa combinação entre uma operação ainda sólida e dúvidas sobre a sustentabilidade do retorno em dividendos.