O Ibovespa começou o pregão desta terça-feira (11) em leve alta, reagindo à desaceleração do IPCA de julho e à ata da última reunião do Copom. O sinal positivo, porém, não se sustentou: por volta de 10h10, o índice subia 0,03%, aos 172.226,97 pontos; minutos depois, virou para queda de 0,18%, aos 171.878,38 pontos. O dia segue movimentado, com balanços corporativos e o documento do Banco Central no radar dos investidores.

Inflação desacelera, mas segue acima do núcleo da meta

O IPCA subiu 0,07% em julho, depois de avançar 0,16% em junho, e veio levemente acima das expectativas do mercado. No acumulado em 12 meses, a inflação oficial está em 4,44%, dentro do teto da meta de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual.

A desaceleração mensal é um alívio, mas o nível de 12 meses ainda está distante do centro da meta. Isso ajuda a explicar a cautela do Banco Central: mesmo com a inflação corrente perdendo força, as expectativas para o futuro continuam no foco do Copom.

O que diz a ata do Copom

Na ata divulgada nesta terça-feira, o Copom, que cortou a Selic para 14% ao ano, avalia que a atividade econômica segue em trajetória de moderação, como já era esperado. O colegiado voltou a destacar o efeito da política fiscal sobre a demanda e sobre o prêmio de risco embutido nos juros futuros.

O documento também mostrou preocupação maior com a desancoragem das expectativas de inflação, ou seja, com a possibilidade de agentes econômicos passarem a projetar inflação acima da meta por mais tempo. Isso indica que o ciclo de cortes de juros deve ser conduzido com cautela, ainda que o IPCA esteja desacelerando.

Bolsa, dólar e juros no mesmo fio

A leitura combinada do IPCA e da ata foi recebida com cautela pelo mercado. O dólar à vista abriu em queda, recuava 0,10% perto das 9h, cotado a R$ 5,1053, e por volta de 10h10 caía 0,17%, a R$ 5,1019. Lá fora, o DXY, índice do dólar ante seis moedas fortes, caía 0,01%, aos 99.804 pontos.

Para a bolsa, juros menores no futuro tendem a melhorar o apetite por ações, porque reduzem a vantagem da renda fixa e barateiam o custo do capital das empresas. Mas, com a Selic ainda em 14% ao ano, esse efeito não é imediato: a renda fixa continua pagando bem, e a ata mostrou que o Banco Central não deve acelerar o ritmo de cortes tão cedo.

Petróleo e tensão no Oriente Médio

O dia também tem componente geopolítico. Um pequeno navio de carga foi atacado por rebeldes houthis no Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, com a morte de três tripulantes, segundo fontes de segurança marítima. O episódio ocorre em meio às negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz entre Irã e Estados Unidos.

O barril de Brent subia 0,42%, a US$ 88,09, e o WTI avançava 0,58%, a US$ 82,61. Petróleo mais caro pressiona custos de produção, combustíveis e, indiretamente, a inflação — o que também importa para a trajetória dos juros.

IGP-M: o índice que pesa no aluguel

Também nesta terça-feira, a Fundação Getulio Vargas divulgou a primeira prévia de agosto do IGP-M: alta de 0,26%, após queda de 0,39% na primeira prévia de julho. O índice é usado como referência para o reajuste de contratos de aluguel.

O resultado foi puxado pelo avanço do IPA-M, que passou de queda de 0,66% para alta de 0,28%. Já o IPC-M perdeu força e passou a recuar 0,09%, enquanto o INCC-M acelerou de 0,69% para 0,75%.

O que observar daqui para frente

O mercado vai seguir monitorando três frentes: a evolução das expectativas de inflação, o debate fiscal e o noticiário do Oriente Médio. O Copom sinalizou que cortou a Selic, mas quer ver a inflação convergindo para a meta antes de dar novos passos.

Para quem investe, o cenário reforça a importância de entender o efeito dos juros sobre cada tipo de ativo: a renda fixa segue com retornos elevados, enquanto as ações dependem de melhora no crescimento e de queda mais clara das taxas. Para o consumidor, juros altos continuam encarecendo o crédito. No radar, também está o plano da Shein de lançar sua oferta inicial de ações em Hong Kong na quarta-feira da próxima semana.

Impacto para a sociedade

A desaceleração do IPCA para 0,07% em julho e a inflação acumulada em 12 meses dentro do teto da meta ajudam a preservar o poder de compra, mas o país ainda convive com juros altos: a Selic está em 14% ao ano. Isso encarece crédito e financiamentos e mantém a renda fixa atrativa, enquanto o Copom sinaliza cautela antes de novos cortes.