As ações da SpaceX (SPCX) fecharam em alta pelo segundo dia consecutivo na sexta-feira, 7, após o fim do período de lock-up, que liberou a venda de papéis por acionistas iniciais. A recuperação devolveu mais de US$ 327 bilhões ao valor de mercado da companhia de Elon Musk, que havia perdido mais de US$ 1 trilhão desde o pico atingido logo após o IPO recorde. Apesar do aumento da oferta de ações, os papéis se aproximaram novamente dos US$ 135 do preço de estreia na bolsa, em um sinal de que a pressão vendedora pode estar se dissipando.
Como foi a alta dos últimos dias
Os papéis subiram 16% na quinta-feira e cerca de 23% na soma dos dois últimos pregões. Na sexta-feira, a SpaceX chegou a ser negociada perto de US$ 135, patamar do IPO, depois de ter caído para US$ 125,33 na terça-feira, 4, antes da divulgação do primeiro balanço público. A máxima histórica, acima de US$ 200, foi registrada pouco depois da estreia na bolsa, quando a empresa levantou o maior IPO da história.
A recuperação ocorre mesmo com o fim, na quinta-feira, 6, do primeiro lock-up — período em que grandes acionistas são proibidos de vender suas ações para evitar pressão sobre o preço. Com a liberação, o número de papéis negociáveis mais que dobrou, de 639 milhões no IPO para 1,55 bilhão.
O que derrubou as ações nos dias anteriores
O tombo veio após a divulgação do balanço do segundo trimestre, na quarta-feira, 5. Embora a receita tenha crescido 92% em relação ao ano anterior, para US$ 7,81 bilhões, acima das expectativas, os investidores reagiram mal ao salto nos investimentos em inteligência artificial. As despesas de capital somaram US$ 18,4 bilhões no trimestre, seis vezes mais que no mesmo período do ano passado, com US$ 15,8 bilhões destinados à expansão da divisão de IA — valor acima dos US$ 13 bilhões que analistas esperavam.
Essa preocupação levou as ações a fecharem em queda de 14% na quarta-feira, depois de chegarem a cair mais de 11% no pré-mercado. Foi a pior sequência desde o IPO, com os papéis acumulando perdas de mais de 30% até a mínima recente.
O fim do lock-up e a aposta contra a ação
Com a liberação das 911,5 milhões de ações adicionais, cresceu o temor de que investidores iniciais, como fundos e funcionários, pudessem vender seus papéis e pressionar ainda mais o preço. Mas, segundo a S3 Partners, mais de 250 milhões de ações estavam vendidas a descoberto – apostas na queda –, o equivalente a cerca de 16% do total negociável. Antes do fim do lock-up, essa proporção havia passado de 36%. A alta recente forçou parte desses vendedores a recomprar os papéis, acelerando a valorização.
Os apostadores contra a ação tinham acumulado ganhos teóricos superiores a US$ 9 bilhões antes dos últimos dois dias. “Tenho certeza de que algumas apostas de baixa tiveram que ser desfeitas hoje”, comentou Matt Maley, estrategista-chefe da Miller Tabak.
A visão de Wall Street
Apesar da volatilidade, a maior parte do mercado segue otimista com a SpaceX. Cerca de 80% dos analistas que acompanham a ação recomendam compra. O preço-alvo médio é de aproximadamente US$ 221, o que representaria uma alta de mais de 65% sobre o fechamento de sexta-feira. A Argus Research elevou sua recomendação para compra, citando o rápido retorno dos investimentos em infraestrutura de IA.
O otimismo, porém, é temperado pela dúvida sobre quanto os investidores estarão dispostos a pagar por uma empresa que ainda precisa demonstrar todo o seu potencial. “Assim que a poeira baixar após as negociações em torno do fim do período de bloqueio, os investidores terão que decidir se estão dispostos a pagar um preço tão alto por uma empresa que não demonstrará todo o seu potencial por muitos anos”, alertou Maley.
O que observar daqui para frente
A SpaceX agora tem mais de 1,5 bilhão de ações em circulação, e o comportamento do mercado nos próximos pregões vai mostrar se a calmaria é duradoura ou se novos movimentos de preço devem ocorrer. Para o investidor, a lição é que o fim de lock-ups costuma trazer volatilidade, mas não define sozinho a trajetória das ações. O preço final depende da percepção de longo prazo sobre os investimentos em IA e da capacidade da empresa de transformar esses gastos em receita e lucro.
