O Assaí recebe cerca de 40 milhões de consumidores por mês, e é dessa posição privilegiada que o CEO Belmiro Gomes enxerga um quadro inquietante: mesmo com a taxa de desemprego em patamares baixos, o brasileiro segue com o orçamento no limite. Em entrevista divulgada nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2026, ele afirmou que a combinação de juros elevados por um período prolongado com o avanço das apostas esportivas ajuda a explicar o endividamento das famílias de menor renda. O efeito, diz ele, já aparece no caixa do varejo.

O paradoxo do desemprego baixo com o endividamento alto

Belmiro Gomes resumiu o momento em uma imagem: acompanha uma “série de terror chamada Selic“. A frase traduz o incômodo com um indicador que não fecha: o desemprego está baixo, mas a população continua muito endividada. “Não era para estarmos nesse nível de endividamento da população”, alertou o executivo.

Há um mecanismo por trás disso. Quando a taxa básica de juros se mantém elevada por períodos longos, o crédito fica mais caro para consumidores e empresas, e a parcela de dívidas passa a consumir uma fatia maior da renda. O dinheiro que iria para o supermercado é, portanto, comprometido antes. Para o varejo, o resultado é um consumidor mais seletivo e com menos margem para gastar, especialmente nas classes de menor renda.

O abismo entre a alta e a baixa renda

Na avaliação de Gomes, o juros alto tem efeito social desigual. De um lado, estão os que possuem recursos investidos e se beneficiam da alta remuneração da renda fixa; do outro, estão os brasileiros endividados, que pagam alguns dos juros mais altos do mundo. “Cerca de 80% da população está altamente endividada, pagando uma das maiores taxas de juro do mundo”, afirmou.

Esse efeito, diz, já é visível nos dados do setor. No quarto trimestre de 2025, os formatos do varejo alimentar voltados para a alta renda tiveram crescimento nominal de 4%, enquanto os ligados ao consumidor de baixa renda recuaram 9%. A diferença, de 13 pontos percentuais, é um abismo que, segundo ele, o setor não via há muitos anos.

O papel das apostas na pressão sobre a renda

O endividamento, na avaliação, também conversa com a febre das bets. O executivo ressaltou que o brasileiro, por gostar tanto de futebol, acaba seduzido por um serviço disponível no smartphone 24 horas por dia. O mecanismo perverso é a expectativa da aposta num momento em que quem já está apertado. “Na medida em que o juro aperta, de um lado, a pessoa tem uma expectativa com o apostador, do outro,” afirmou, “isso tem levado ao aumento do endividamento.”

Gomes não apresentou uma estudo quantitativo próprio do Assaí medindo quanto das dívidas das famílias pode ser atribuído às apostas. Ele disse, porém, que dados e reportagens já associam parte do estoicismo de contas atrasadas ao hábito.

Pequenos negócios reduzem os estoques

O custo do dinheiro também atinge o setor empresarial do Assaí. Cerca de 40% do faturamento da companhia vem de pessoas jurídicas, como mercadinhos, padarias, restaurantes, pizzarias, escolas e hotéis.

Segundo o CEO, esses pequenos empreendedores mudaram seu comportamento diante do crédito caro. Em vez de formar grandes estoques, eles aumentaram a frequência de ida às lojas e compram apenas o suficiente para manter o negócio funcionando. Com a taxa de juros elevada, manter mercadoria parada no depósito vira um custo ainda mais alto, e o giro rápido se torna uma proteção.

O que dizem para quem segue acompanhando

A fala de um dos principais executivos do .vorese alimentar brought explains what já: juros permanentes não atingem a todos da mesma forma. Enquanto quem tem o recursos na renda fixa observa a remuneração, quem depende do trabalho e do crédito caro fica refém do apertamento. Para o varejo e para o pequeno empreendedor, o ded meny é a trajetória da Selic e o endurance das famílias.

A mensagem central é de cautela: com juros alto por um tempo maior, os números e a desigualdade se aprofundam. O que vem a seguir, na semana da própria disfianção dos dados de varejo e de crédito, vai mostrar se o ciclo já incontinência ou se o endividamento continuará sendo o principal cinto da economia neste ano.