As ações da MRV, da Cury e da Tenda avançaram na B3 após a divulgação de prévias operacionais do terceiro trimestre de 2026. A MRV chegou a subir 10,73%, enquanto Cury e Tenda avançavam 6,77% e 6,14%, respectivamente, em meio à repercussão dos resultados e à queda dos juros futuros, que costuma beneficiar empresas dependentes de financiamento de longo prazo.
MRV combina vendas maiores com geração de caixa abaixo do esperado
A MRV encerrou o trimestre com geração de caixa de R$ 456 milhões, segundo os dados divulgados na véspera. As vendas líquidas cresceram 29,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 3 bilhões, e o valor médio dos apartamentos vendidos avançou 3,1%, para R$ 276 mil. Às 11h54, as ações subiam 10,73%, a R$ 7,12.
A leitura dos analistas, porém, não foi inteiramente positiva. O Itaú BBA considerou o desempenho misto e observou que a mudança na metodologia de reconhecimento das vendas elevou os números. O Bradesco BBI destacou a evolução das vendas, mas avaliou que a geração de caixa ficou aquém do esperado. A greve da Caixa dificultou transferências bancárias e teria reduzido o caixa em cerca de R$ 80 milhões no trimestre, conforme a administração.
Cury tem vendas acima das projeções; Tenda sente efeito da greve
As vendas líquidas da Cury aumentaram 10,7% ante o terceiro trimestre de 2025 e chegaram a R$ 1,8 bilhão. O valor médio dos imóveis vendidos subiu 7,7% na mesma comparação, para R$ 322,8 mil. O Itaú BBA avaliou os resultados como melhores do que o previsto e destacou a relação entre vendas e oferta de imóveis, além da geração de caixa como suporte ao crescimento dos lucros.
A Tenda registrou vendas de R$ 1,29 bilhão, alta de 4,4% em relação a um ano antes, e suas ações avançavam 6,14%, a R$ 31,38. Para o Bradesco BBI, a paralisação na Caixa pressionou distratos e reduziu transferências. A expectativa da instituição é que esses efeitos sejam normalizados no quarto trimestre, mas ela também apontou dúvidas sobre margens, diante de critérios de crédito mais rígidos e menor uso de financiamento pró-soluto pela companhia.
Queda dos juros futuros reforça o movimento das ações
Além das prévias, o recuo das taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) de longo prazo favoreceu os papéis do setor. Essas taxas são referências para o custo do dinheiro no futuro: quando caem, podem reduzir a pressão sobre financiamentos e aumentar o valor que investidores atribuem a receitas esperadas mais adiante. Construtoras tendem a ser sensíveis a esse movimento porque dependem de crédito e vendem imóveis cujo pagamento pode se estender por anos.
O recuo ocorreu enquanto investidores reagiam a pesquisas eleitorais que mostraram o senador Flávio Bolsonaro à frente na disputa presidencial. Parte do mercado associou esse cenário à possibilidade de maior controle das contas públicas, embora não houvesse propostas concretas de ajuste apresentadas pelo candidato. Essa expectativa contribuiu para a queda dos juros futuros, mas não equivale a uma mudança já definida na política fiscal ou na taxa básica de juros.
Inflação acima das projeções e desafios seguem no radar
O movimento dos juros futuros também ofuscou a divulgação do IPCA de setembro, que veio acima das projeções. A inflação é relevante para os juros porque pressões persistentes sobre os preços podem limitar o espaço para reduções nas taxas. Assim, a alta das construtoras não representa uma avaliação positiva uniforme das prévias nem elimina riscos específicos de cada empresa.
Para quem acompanha o setor, os próximos sinais incluem a evolução da geração de caixa da MRV, a recuperação das transferências afetadas pela greve e a capacidade de Cury e Tenda de sustentar vendas e margens. As ações reagiram a dados operacionais e a expectativas sobre juros e cenário eleitoral; a continuidade do movimento dependerá de como esses fatores se traduzirem nos resultados e nas taxas futuras.
Impacto para a sociedade
A queda dos juros futuros pode, se persistir, reduzir o custo de financiamentos e favorecer o crédito imobiliário, mas não significa que as prestações cairão imediatamente. Por enquanto, o movimento reflete expectativas do mercado, e não uma mudança já anunciada nas condições de financiamento para os consumidores.
