O Ibovespa encerrou esta quinta-feira (8) aos 207 mil pontos, com alta de 1,48%, em uma sessão marcada pelo avanço das ações da Petrobras e pela valorização do petróleo no exterior. O resultado levou o índice a se descolar das bolsas de Nova York, que fecharam em queda, enquanto investidores também acompanharam notícias sobre a disputa presidencial.

Petróleo em alta favoreceu as ações da Petrobras

Os contratos futuros do petróleo Brent subiram 4,1% e fecharam a US$ 104,28 por barril. A commodity avançou em meio a preocupações com a guerra no Oriente Médio e com possíveis interrupções no abastecimento provocadas pela aproximação de um furacão à costa do Golfo dos Estados Unidos.

Com o petróleo mais caro, as ações da Petrobras ganharam força: os papéis preferenciais subiram 2,12%, e os ordinários avançaram 3,13%. Também tiveram alta a PRIO, com valorização de 1,82%, e a PetroReconcavo, que ganhou 3,42%. Como a Petrobras tem peso relevante no índice, o desempenho da estatal ajudou a sustentar o Ibovespa.

Bolsa brasileira destoou de Nova York

O movimento local ocorreu apesar das perdas nos Estados Unidos. O S&P 500 recuou 0,45%, em um pregão no qual a alta do petróleo e o desempenho das empresas ligadas à commodity deram suporte à bolsa brasileira.

O volume financeiro negociado no Ibovespa somou R$ 60,2 bilhões. O resultado também teve diferenças entre setores: a Vale caiu 1,61%, acompanhando a queda de 3,12% do contrato mais negociado de minério de ferro na bolsa de Dalian, na China, que fechou a 682,5 iuanes por tonelada.

Noticiário eleitoral continuou no radar

Investidores avaliaram uma pesquisa PoderData/Aya que apontou Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos, ante 47% para Luiz Inácio Lula da Silva, em uma simulação de segundo turno. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual. O mercado também aguardava a divulgação da primeira pesquisa Datafolha sobre essa etapa da eleição.

O noticiário incluiu declarações de Adolfo Sachsida, que se apresenta como coordenador econômico do plano de governo de Flávio Bolsonaro. Ele afirmou que uma eventual gestão não faria privatizações e citou Petrobras, Banco do Brasil e Caixa. A possibilidade de mudança na política econômica também mantém em discussão nomes que poderiam comandar a Fazenda em um eventual governo.

Varejistas subiram, enquanto bancos tiveram desempenho misto

Entre as maiores altas do índice, Azzas 2154 avançou 7,71%, Assaí subiu 7,37% e Magazine Luiza ganhou 5,56%. O desempenho positivo de varejistas ocorreu em um pregão de recuo firme nas taxas dos juros futuros — taxas negociadas para períodos à frente, que influenciam as expectativas de custo do crédito e de retorno dos investimentos.

Nos bancos, não houve direção única: Itaú subiu 0,49%, BTG Pactual ganhou 1,08% e Banco do Brasil avançou 0,33%. Bradesco caiu 2,05%, e Santander Brasil recuou 1,29%. O contraste mostra que a alta do índice não significou avanço generalizado de todos os setores ou papéis.

O que acompanhar depois da alta

Para quem investe, o fechamento reúne fatores distintos: a valorização do petróleo favoreceu empresas do setor, enquanto o minério em queda pesou sobre a Vale e as notícias eleitorais seguiram influenciando as expectativas. A alta do Ibovespa em um único pregão não determina, por si só, a direção dos próximos dias.

Daqui em diante, a atenção se volta às próximas pesquisas eleitorais, aos desdobramentos das tensões no Oriente Médio e às condições de oferta de petróleo. Uma alta persistente da commodity pode ter reflexos sobre combustíveis e custos no Brasil, mas o pregão não confirma repasse imediato aos preços pagos pelos consumidores.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo no exterior pode pressionar combustíveis e custos de transporte no Brasil se o movimento persistir e for repassado aos preços internos. O pregão, por si só, não indica mudança imediata nas contas das famílias.