A Petrobras ampliou para 21 blocos, em três bacias, o resultado de sua participação nos leilões da Agência Nacional do Petróleo (ANP), com compromisso de pagar R$ 3,22 bilhões em bônus de assinatura até 30 de dezembro de 2026. A atualização acrescenta nove áreas e cerca de R$ 250 milhões ao balanço anterior, que apontava 12 blocos na Bacia de Campos por R$ 2,97 bilhões. O movimento reforça a busca por novas reservas, mas não significa aumento imediato da produção ou da receita.
Onde ficam as áreas arrematadas pela Petrobras
Na rodada de concessão, a estatal levou 19 blocos: 12 na Bacia de Campos, com participação integral, e sete na Bacia do Ceará, na Margem Equatorial. Nos blocos cearenses, a Petrobras será operadora e terá 70% de participação; a QatarEnergy Brasil ficará com os 30% restantes. A parcela da estatal nessa rodada corresponde a cerca de R$ 2,99 bilhões em bônus.
Os outros dois blocos vieram da rodada de partilha: Azurita, na Bacia de Campos, e Cruzeiro do Sul, na Bacia de Santos. A Petrobras terá 100% de participação e será responsável pelas atividades nas duas áreas. Os bônus somam aproximadamente R$ 232,4 milhões. Juntos, os 21 blocos adicionam mais de 18 mil quilômetros quadrados ao portfólio exploratório da companhia.
Quatro blocos concentram a maior parte dos lances
Na concessão, quatro áreas de águas ultraprofundas em Campos concentraram R$ 2,766 bilhões, cerca de 93% do compromisso da Petrobras nessa rodada. Nos blocos C-M-115 e C-M-161, a estatal ofereceu R$ 754 milhões por área; em C-M-163 e C-M-216, foram R$ 629 milhões por área. Os valores ficaram muito acima dos bônus mínimos previstos para esses blocos.
A competição, porém, foi limitada: o consórcio TotalEnergies/QatarEnergy foi o único adversário e apresentou ofertas inferiores. As áreas ficam a cerca de 115 a 140 quilômetros de Roncador e fora do polígono do pré-sal. O peso dos lances mostra que Campos segue relevante para a exploração da Petrobras, mesmo com a expansão de suas apostas para outras fronteiras.
O que os dois modelos de leilão exigem
O bônus de assinatura é o pagamento para obter o direito de explorar uma área; ele não corresponde ao custo total de desenvolver um campo. Na concessão, a disputa considerou tanto esse bônus quanto o Programa Exploratório Mínimo (PEM), conjunto de atividades que a empresa se compromete a realizar, como pesquisas sísmicas e perfuração de poços.
Na partilha, o bônus já estava definido no edital, e a disputa envolveu o percentual do excedente em óleo destinado à União. A Petrobras ofereceu 30% em Azurita e 15,27% em Cruzeiro do Sul. Esses percentuais não representam a participação societária da estatal nos blocos: ela terá 100% de cada área. Cruzeiro do Sul, no pré-sal de Santos, havia ficado sem propostas em duas ofertas anteriores.
O desembolso pesa pouco agora, mas amplia opções futuras
Os bônus da Petrobras representam cerca de 91% dos R$ 3,54 bilhões arrecadados pelo governo nos dois certames. Ainda assim, o valor total equivale a aproximadamente 0,44% do valor de mercado da estatal. A XP avalia que as áreas acrescentam possibilidades futuras, sem representar uma alocação de capital material no curto prazo. O Morgan Stanley também vê renovação do interesse em Campos e uma postura seletiva em relação ao pré-sal.
Para quem acompanha a empresa, o efeito mais imediato é a ampliação do estoque de áreas que podem ser pesquisadas, não uma mudança direta na oferta de petróleo. A exploração envolve riscos: a busca pode não resultar em descobertas comercialmente viáveis, e a produção depende de etapas posteriores. O próximo passo será cumprir os pagamentos e os compromissos exploratórios previstos nos contratos; a contribuição das novas áreas para as reservas e a produção dependerá dos resultados dessas atividades.
