Adolfo Sachsida, integrante da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, afirmou que um eventual governo do candidato não privatizaria Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras. A declaração indica um limite para a política de desestatização defendida por integrantes da equipe econômica e pode influenciar as expectativas sobre o futuro dessas empresas, embora não detalhe medidas de gestão.

O que Sachsida prometeu sobre as estatais

Em mensagem publicada em uma rede social, o economista disse que nenhuma das três empresas seria privatizada. Ele também afirmou que o governo buscaria fortalecer a gestão das estatais, para que voltassem a dar lucro e respeitassem a população. Não apresentou, porém, propostas específicas, metas ou prazos para alcançar esses objetivos.

A declaração se dirige também aos funcionários das empresas. Sachsida disse que o grupo respeita a história do Banco do Brasil, da Caixa e da Petrobras. A fala procura deixar explícito que, apesar de eventuais mudanças administrativas, a propriedade dessas companhias continuaria sob controle público em um possível governo de Flávio.

Promessa contrasta com posições de outros integrantes

A sinalização contrasta com a defesa de privatizações por integrantes da equipe econômica de perfil liberal ligada à campanha. O próprio Sachsida afirmou que as três empresas ficariam fora de uma eventual venda, mas não esclareceu se a mesma posição se aplicaria a outras estatais.

Há também um precedente político: em 2020, o então ministro da Economia Paulo Guedes defendeu a privatização da Petrobras e do Banco do Brasil, mas essas vendas não foram realizadas. A comparação ajuda a distinguir uma defesa de privatização feita por integrantes de um governo ou equipe econômica de uma decisão efetivamente executada.

O que significa manter uma empresa sob controle estatal

Privatização é a transferência do controle de uma empresa pública para a iniciativa privada. Ao dizer que não venderia as três companhias, Sachsida sinaliza que elas permaneceriam sob controle estatal; isso, por si só, não define como seriam administradas nem impede mudanças internas.

Uma estatal pode ter metas de resultado e buscar lucro sem deixar de ser pública. No vídeo, Sachsida associou a permanência do controle estatal ao fortalecimento da gestão e à retomada dos lucros. Como não explicou quais instrumentos seriam usados, ainda não é possível saber como conciliaria o desempenho financeiro com as funções públicas atribuídas a essas empresas.

Declaração ocorre durante disputa presidencial

Flávio Bolsonaro disputa o segundo turno da eleição presidencial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para 25 de outubro. Nesse contexto, a fala de um integrante da campanha funciona como uma sinalização aos eleitores e aos trabalhadores das estatais sobre um tema que diferencia propostas de política econômica.

A declaração não equivale a uma decisão de governo: a promessa depende de uma vitória eleitoral e de sua conversão em medidas concretas. Também não detalha como seria conduzida a relação do governo com as empresas, nem apresenta propostas de orçamento, investimentos ou mudanças de gestão.

O que observar daqui para a frente

Para quem acompanha o mercado, a manutenção do controle público pode influenciar a avaliação sobre a estratégia futura das companhias, mas a fala isolada não permite antecipar mudanças em seus resultados. O efeito dependerá das decisões posteriores sobre gestão, prioridades e objetivos financeiros, que não foram especificadas por Sachsida.

Para trabalhadores e usuários dos serviços, o ponto concreto por enquanto é a promessa de não privatizar Banco do Brasil, Caixa e Petrobras. O próximo passo é observar se Flávio e os demais integrantes da campanha confirmam essa posição e apresentam como pretendem fortalecer as empresas sem alterar seu controle estatal.