O Ibovespa avançou na manhã desta quinta-feira (8) e chegou a 206.152,69 pontos, alta de 0,91%, às 10h49, enquanto investidores acompanhavam a disputa presidencial e a disparada do petróleo. A valorização das ações da Petrobras ajudava a bolsa, mas o avanço da commodity também elevava as preocupações com inflação e oferta de energia.

Bolsa testa os 206 mil pontos em meio a fatores opostos

O índice chegou à máxima do dia depois de operar perto da estabilidade mais cedo: às 10h10, subia 0,25%, aos 204.811 pontos. O movimento mostra a influência de forças diferentes sobre os negócios: o petróleo mais caro favorece a perspectiva de receitas de empresas produtoras, enquanto pode pressionar custos e a inflação.

Por volta das 10h57, o Ibovespa estava na região dos 205,8 mil pontos. No mesmo momento, o dólar comercial era negociado perto de R$ 5,02 e os juros futuros avançavam. A combinação indica cautela em parte do mercado, apesar da alta da bolsa.

Pesquisa eleitoral adiciona incerteza ao cenário local

A primeira pesquisa divulgada após o primeiro turno mostrou Flávio Bolsonaro com 53% dos votos válidos em uma simulação de segundo turno, contra 47% de Luiz Inácio Lula da Silva. A votação está marcada para 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%.

Pesquisas podem influenciar as expectativas sobre as políticas do próximo governo, mas não determinam o resultado da eleição nem, por si só, explicam o comportamento diário da bolsa. Para investidores, a disputa é mais um fator de incerteza a acompanhar junto com juros, atividade econômica e cenário externo.

Petróleo supera US$ 104 com tensão no Oriente Médio

O Brent, referência internacional, chegou a US$ 104,89 por barril por volta das 10h, alta de 4,68% em relação ao fechamento anterior. Mais tarde, os contratos ainda avançavam cerca de 4%, perto de US$ 104. O petróleo americano WTI também subia em ritmo semelhante e se aproximava de US$ 92.

Os preços reagiram a preocupações com o abastecimento, após ataques a embarcações no Golfo Pérsico e no Estreito de Ormuz, além de notícias sobre possíveis operações militares dos Estados Unidos contra o Irã. A redução da produção americana por causa de um furacão também contribuía para o temor de oferta menor. Se persistir, a alta da commodity pode encarecer combustíveis e fretes, além de alimentar pressões inflacionárias.

Exterior combina pressão sobre preços e sinais de fraqueza

As bolsas dos Estados Unidos recuavam com a alta do petróleo e o receio de que a energia mais cara dificulte o controle da inflação. Na Europa, a ata do Banco Central Europeu registrou riscos inflacionários inclinados para cima devido ao choque de energia. Em setembro, a instituição elevou os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de depósito a 2,50%, e seus dirigentes defenderam manter liberdade para decisões futuras.

No Brasil, a produção industrial caiu 0,6% em agosto ante julho e recuou 1,2% frente a agosto de 2025. A queda mensal atingiu dez dos 15 locais pesquisados. Na China, o minério de ferro alcançou a menor cotação em 18 meses, outro sinal acompanhado por quem observa a demanda por matérias-primas e empresas ligadas à exportação.

Inflação, eleição e dados econômicos seguem no radar

Para quem investe, a alta do índice não elimina os riscos de oscilações: petróleo, notícias geopolíticas e expectativas eleitorais podem mudar de direção e afetar setores de formas distintas. A valorização de produtoras de petróleo pode coexistir com preocupações sobre custos para empresas e consumidores.

Nos próximos pregões, o mercado deve seguir atento à evolução dos preços da energia, à disputa presidencial e aos indicadores de atividade. Para trabalhadores e consumidores, o ponto concreto a observar é se o petróleo caro se mantém e chega aos combustíveis e a outros preços; para a bolsa, também pesam os juros e os sinais sobre crescimento no Brasil e no exterior.

Impacto para a sociedade

A alta do petróleo pode encarecer combustíveis e transportes, com reflexos nos custos de produtos e na inflação. O efeito depende da duração do choque e de como os preços internacionais se transmitirão ao mercado brasileiro.