O Ibovespa fechou em queda de 0,74% nesta quarta-feira (7), aos 204.302,33 pontos, enquanto o dólar avançou 0,70%, a R$ 5,011. O recuo da bolsa interrompeu parte dos ganhos recentes após o primeiro turno das eleições e refletiu a cautela dos investidores com o cenário externo, as decisões de juros nos Estados Unidos e a disputa eleitoral brasileira.

Bolsa devolve parte dos ganhos do início da semana

O principal índice da B3 oscilou entre 204.176,12 pontos, na mínima, e 206.877,47 pontos, na máxima. O volume financeiro somou R$ 57,2 bilhões antes dos ajustes finais. Foi o segundo pregão consecutivo de baixa, mas o Ibovespa permaneceu em patamar elevado depois da forte valorização registrada no começo de outubro.

Após uma alta expressiva, parte dos investidores reduziu posições para realizar lucros — ou seja, transformar em ganhos parte da valorização acumulada. A cautela também aumentou diante das incertezas sobre alianças e propostas econômicas para o segundo turno. Flávio Bolsonaro recebeu apoio de Novo, União Brasil e PP; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve reuniões com parlamentares e integrantes do PT.

Juros americanos e títulos dos EUA pesam no exterior

As bolsas de Nova York também terminaram no vermelho. O Dow Jones caiu 0,66%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq recuaram 0,22% cada. Os rendimentos dos títulos do governo americano, os Tre­asuries, subiram, e a taxa dos papéis de 30 anos chegou ao maior nível em 24 anos, aumentando a atenção dos mercados à remuneração oferecida por investimentos nos Estados Unidos.

A ata da reunião de setembro do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, mostrou divergências entre os dirigentes sobre os próximos passos dos juros. Parte deles considera que pode ser necessário um novo aumento para conter a inflação. Em setembro, o Fed elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%. Juros americanos mais altos podem tornar aplicações nos EUA mais atraentes e influenciar o fluxo de recursos para outros mercados.

Bancos e Vale pressionam o índice; Magazine Luiza sobe

As ações de bancos e da Vale estiveram entre os principais pesos sobre o Ibovespa. Itaú Unibanco caiu 2,66%, Bradesco recuou 3,68%, Santander Brasil perdeu 1,01% e BTG Pactual cedeu 2,52%. A Vale desvalorizou 2,30%, em uma sessão sem referência do mercado chinês.

Na direção oposta, Magazine Luiza subiu 5,09%, em meio ao recuo das taxas curtas dos juros futuros, que influenciam as expectativas sobre o custo de financiamento. Petrobras avançou: as ações preferenciais ganharam 0,95% e as ordinárias, 1,25%, apesar da queda do petróleo Brent, de 0,38%, para US$ 100,20 por barril. GPA também teve alta, de 4,15%, após a homologação de seu plano de recuperação extrajudicial.

Dólar supera R$ 5 e acompanha cautela dos investidores

O dólar à vista fechou a R$ 5,011, depois de variar entre R$ 4,982 e R$ 5,016. Além da valorização da moeda no exterior, investidores acompanharam a política brasileira. Declarações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sobre a possibilidade de acelerar a tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6×1 também entraram no radar.

O avanço diário não muda, por si só, a trajetória do câmbio, mas mostra como expectativas sobre juros e política podem alterar as cotações no curto prazo. Uma moeda americana mais cara pode pressionar custos de produtos importados, embora o efeito sobre preços dependa de quanto tempo a alta persiste e de como empresas repassam seus custos.

Pesquisas e sinais sobre juros devem orientar os próximos pregões

Para os próximos dias, o mercado deve acompanhar pesquisas eleitorais, articulações entre partidos e sinais mais concretos sobre propostas econômicas e fiscais. Esses fatores podem levar a novos ajustes em ações, juros e câmbio, especialmente nos ativos mais sensíveis às expectativas sobre as contas públicas.

Para quem investe, a sessão reforça que a alta recente não elimina a possibilidade de oscilações enquanto o cenário político e a trajetória dos juros nos EUA seguem indefinidos. No cotidiano, o fechamento de um único dia não permite concluir que haverá mudança duradoura nos preços ou na economia: os próximos dados e decisões ajudarão a indicar se a cautela se mantém.