As exportações brasileiras para a União Europeia subiram 60,1% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, e chegaram a US$ 6,95 bilhões. No sentido contrário, as vendas à Argentina caíram 25,2% e à China recuaram 7,6%. Os resultados mostram desempenhos diferentes entre os principais parceiros comerciais do Brasil e ajudam a explicar a composição do saldo externo no mês.
Vendas à União Europeia geram superávit de US$ 2,89 bilhões
O Brasil exportou US$ 6,95 bilhões para o bloco europeu em setembro, ante US$ 4,34 bilhões um ano antes. As importações vindas da UE recuaram 8,7% na mesma comparação, para US$ 4,06 bilhões. A diferença entre exportações e importações resultou em superávit comercial de US$ 2,89 bilhões com o bloco.
O avanço também aparece no acumulado de janeiro a setembro: as exportações para a UE cresceram 20% ante igual período de 2025 e somaram US$ 44,15 bilhões. As importações aumentaram 0,8%, para US$ 38,05 bilhões, deixando saldo positivo de US$ 6,10 bilhões. O superávit indica que, em valor, o Brasil vendeu mais ao bloco do que comprou.
Argentina registra queda nas vendas brasileiras
Para a Argentina, as exportações brasileiras diminuíram 25,2% em setembro, para US$ 1,36 bilhão. Já as importações do país vizinho avançaram 5,7%, a US$ 1,31 bilhão. Com os fluxos quase equilibrados, o Brasil teve superávit de US$ 50 milhões no comércio bilateral no mês.
De janeiro a setembro, as vendas à Argentina caíram 18,5% em relação aos mesmos nove meses de 2025 e totalizaram US$ 11,58 bilhões. As importações cresceram 4,4%, para US$ 9,95 bilhões, e o saldo brasileiro ficou positivo em US$ 1,63 bilhão. A retração mensal, portanto, ocorre em um período acumulado também marcado por redução das exportações.
China compra menos, mas mantém maior saldo positivo
As exportações para a China recuaram 7,6% em setembro, de US$ 8,69 bilhões no mesmo mês de 2025 para US$ 7,89 bilhões. As importações brasileiras de produtos chineses cresceram 12,6%, para US$ 7,06 bilhões. Ainda assim, o Brasil obteve superávit de US$ 830 milhões com o país asiático.
Segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, a queda nas vendas de carne bovina, soja, minério de ferro e milho afetou o resultado. A exportação de carne bovina à China caiu 93,5%, em razão do atingimento de uma cota comercial que gera sobretaxa e reduz as vendas. Brandão afirmou que outros mercados, incluindo os Estados Unidos, absorvem parte do volume, mas não todo. No acumulado do ano, porém, as exportações à China cresceram 12%, para US$ 84,64 bilhões.
Saldo total segue positivo, com diferenças entre parceiros
O superávit da balança comercial brasileira foi de US$ 7,741 bilhões em setembro. De janeiro a setembro, o saldo acumulado chegou a US$ 62,396 bilhões, enquanto as exportações totais cresceram 10,4% ante o mesmo intervalo de 2025. O desempenho positivo com a UE e a China coexistiu com a queda das vendas à Argentina.
Para comparação, as exportações aos Estados Unidos subiram 31,9% em setembro, para US$ 3,52 bilhões, mas as importações de lá foram maiores, em US$ 4,43 bilhões, gerando déficit mensal de US$ 910 milhões. No acumulado do ano, o déficit com os EUA alcançou US$ 4,33 bilhões. Assim, a variação das vendas a cada parceiro não se traduz automaticamente no resultado total: importações e exportações de todos os mercados entram na conta.
O que os números indicam para os próximos meses
Para quem acompanha a economia, os dados mostram que as receitas externas brasileiras dependem de trajetórias distintas por destino e por produto. Uma queda em um mercado pode ser parcialmente compensada por vendas a outros países, mas o caso da carne bovina ilustra que essa substituição pode não cobrir todo o volume perdido.
Os resultados de setembro são uma fotografia de um mês; o acumulado até agosto? Não: até setembro, mostra um quadro mais amplo e ainda positivo para a balança comercial. Os próximos dados mensais permitirão observar se o avanço para a União Europeia e a retração para Argentina e China persistem. Para empresas e trabalhadores ligados ao comércio exterior, a direção dessas vendas pode influenciar a demanda por produtos brasileiros, embora os números, por si só, não determinem o efeito sobre cada setor.
