Os ETFs globais dedicados ao Brasil receberam US$ 3,8 bilhões em entradas líquidas em 2026, até o levantamento do Bank of America (BofA) divulgado nesta terça-feira (6). O valor supera os US$ 2,7 bilhões de 2025 e coloca o país na liderança dos fluxos para a América Latina. O movimento importa porque esses fundos são uma das formas pelas quais investidores internacionais ganham exposição a ações brasileiras.
Brasil responde pela maior parte do fluxo regional
As captações líquidas em ETFs focados na América Latina somaram US$ 5,5 bilhões em 2026, ante US$ 4,6 bilhões em 2025 — uma alta de cerca de 20%. O Brasil foi o principal responsável pelo resultado positivo. Já os fundos voltados ao México registraram saídas de US$ 1,5 bilhão neste ano, após entradas de aproximadamente US$ 100 milhões em 2025.
Na prática, um ETF reúne ativos em uma carteira e tem cotas negociadas em bolsa. Quando há entrada de recursos, o fundo amplia sua exposição ao mercado ou aos ativos que acompanha. Isso pode contribuir para a demanda por ações e para a circulação de negócios, embora os dados de captação, sozinhos, não indiquem como cada papel será afetado.
Fundos brasileiros dominam o universo latino-americano
O levantamento identificou 114 ETFs de ações voltados à América Latina, com cerca de US$ 50 bilhões em ativos sob gestão — o total de recursos administrados pelos fundos. Desse conjunto, 40 são negociados em mercados internacionais e 74 estão listados localmente. O BofA estima que esses ativos equivalem a cerca de 3% da capitalização do índice MSCI LatAm, medida do valor de mercado das empresas que o compõem.
Entre os ETFs latino-americanos listados no exterior, estratégias ligadas ao Brasil representam 53% dos ativos. Essa participação reflete o peso do mercado brasileiro nos índices regionais e o interesse por empresas ligadas à economia local, a commodities e ao setor financeiro. A concentração também significa que o desempenho desses fundos pode depender bastante de poucos setores.
Composição dos fundos limita exposição à tecnologia
Serviços financeiros e commodities respondem por cerca de 66% das carteiras dos ETFs latino-americanos, enquanto tecnologia e consumo discricionário — bens e serviços não essenciais — representam apenas 2%. Para o BofA, essa composição deixa os fundos mais associados a ações de valor, em geral avaliadas pelo potencial ligado aos negócios atuais, e menos expostos às empresas que impulsionam a tese global de inteligência artificial.
O banco observa que parte do capital antes direcionado à América Latina migrou para mercados emergentes com maior presença de tecnologia. Incertezas sobre eleições, comércio internacional e política fiscal também podem ter limitado os aportes na região. Esses fatores ajudam a explicar por que a captação brasileira cresce, mas a região ainda enfrenta concorrência por recursos globais.
Fluxos e liquidez merecem acompanhamento
O BofA destaca o papel do iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) na negociação de ativos brasileiros no exterior: historicamente, seu volume correspondeu a 31% do negociado pelo MSCI Brazil. Esse dado indica que o fundo é uma via relevante para operar o mercado brasileiro fora do país. Ainda assim, o relatório aponta que a liquidez adicional oferecida por ETFs está abaixo das médias históricas.
Para quem investe, os números mostram a dimensão do interesse estrangeiro, mas também a concentração setorial e os riscos que podem alterar os fluxos. A captação acumulada não garante continuidade nem antecipa o desempenho futuro das ações. O acompanhamento dos aportes, da composição dos fundos e das incertezas políticas e comerciais ajuda a entender como essa exposição ao Brasil pode evoluir.
