A Prio (PRIO3) divulgou novos dados operacionais nesta terça-feira (6), e suas ações chegaram a cair 2,49% durante o pregão, a R$ 62,55. Em setembro, a companhia produziu, em média, 192,6 mil barris de óleo equivalente por dia, volume 3,5% maior que o de agosto. Apesar do avanço, os números vieram em linha com as expectativas do mercado, enquanto a queda do petróleo também pressionava os papéis.

Produção avançou em setembro e no terceiro trimestre

O crescimento mensal foi impulsionado principalmente pelos campos de Peregrino e Albacora Leste, que tiveram aumento de produção em relação a agosto. A prévia operacional aponta uma recuperação gradual da atividade da petroleira, mas não trouxe uma surpresa positiva suficiente para mudar a leitura dos investidores sobre o desempenho recente da empresa.

No terceiro trimestre, a produção média ficou em 191,6 mil barris de óleo equivalente por dia. O resultado representa alta de 11,4% ante o segundo trimestre e de 23,3% na comparação com os três primeiros meses do ano. A comparação mostra que o volume vem crescendo ao longo de 2026, embora a reação na Bolsa também dependa do que o mercado já esperava.

Dados da ANP já antecipavam a recuperação

Analistas da XP Investimentos e do Itaú BBA disseram que a melhora sequencial da produção já era amplamente antecipada pelos dados diários da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Quando uma informação esperada se confirma, ela pode ter efeito limitado sobre a cotação: investidores costumam ajustar posições antes do anúncio oficial, reduzindo o impacto do dado no dia da divulgação.

O Itaú BBA avaliou os números como ligeiramente positivos, mas a leitura predominante foi de uma prévia sem grandes surpresas. Por volta das 11h, as ações recuavam 1,08%, a R$ 63,46, enquanto o Ibovespa caía 0,63%, aos 205.607,32 pontos. Mais cedo, a baixa de PRIO3 chegou a 2,49%, indicando uma oscilação mais forte que a do índice naquele momento.

Petróleo abaixo de US$ 100 também pesou nos papéis

Além da divulgação da empresa, o petróleo no mercado internacional era negociado abaixo de US$ 100 por barril e contribuía para pressionar as ações. Para uma produtora de petróleo, a cotação da commodity importa porque influencia o valor pelo qual a produção pode ser vendida. Assim, mesmo com mais barris extraídos, preços menores podem limitar o avanço da receita e do caixa.

O efeito final depende também de fatores como o volume vendido e os custos da operação. Por isso, a alta da produção é um dado relevante, mas não basta, isoladamente, para determinar o resultado financeiro da Prio. A reação do mercado combinou a confirmação de um crescimento já esperado com a preocupação sobre o preço internacional do petróleo.

Analistas mantiveram avaliações e projeções

Após a prévia, as casas de análise citadas mantiveram suas avaliações para PRIO3. BTG Pactual e Itaú BBA reiteraram recomendação de compra e preço-alvo de R$ 73; a XP também manteve compra, com preço-alvo de R$ 78. O Safra preservou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 69. Esses valores são estimativas dos analistas, não garantias de cotação futura.

Rafael Passos, analista e sócio da Ajax Asset, afirmou que a recuperação da produção, o aumento das vendas de petróleo e uma melhor realização de preços favorecem o cenário para a companhia. Em sua avaliação, o rendimento do fluxo de caixa livre ao acionista, indicador que relaciona o caixa gerado para os acionistas ao valor da empresa, deve ficar em torno de 20% neste ano e avançar para até 25% em 2028.

O que acompanhar depois da prévia operacional

Para quem acompanha a ação, os próximos dados de produção e vendas ajudarão a mostrar se o avanço do trimestre se mantém. Também será importante observar o preço do petróleo, que pode alterar as perspectivas de receita mesmo quando a companhia produz mais. A prévia de setembro confirma o crescimento do volume, mas, por ter ficado próxima do esperado, não mudou de forma expressiva as avaliações dos analistas.

A queda registrada no pregão, por sua vez, não representa por si só uma mudança nos fundamentos da empresa: reflete a reação a uma informação específica e às condições do mercado naquele momento. Os números citados são uma fotografia da sessão e das projeções divulgadas nesta terça-feira, e não determinam o desempenho futuro das ações.