O Ibovespa fechou esta segunda-feira (5) aos 206.911,89 pontos, com alta de 7,70%, depois de superar os 209 mil pontos durante o pregão e atingir a máxima histórica de 209.605,70. O movimento, ocorrido após o primeiro turno das eleições, mostra como as expectativas sobre o cenário político e econômico podem provocar fortes oscilações nos ativos — sem que isso signifique que as condições da economia já tenham mudado.
Bolsa recuou da máxima, mas teve maior alta desde 2020
Na máxima do dia, o índice subiu 9,10%. No fechamento, ainda acumulou ganho de 14.797,34 pontos em relação à sessão anterior. Foi a maior alta diária desde 24 de março de 2020, quando o Ibovespa avançou 9,69%, em meio à turbulência provocada pela pandemia. O índice terminou no nível mais alto desde 14 de abril.
A diferença entre a máxima e o fechamento indica que parte dos investidores reduziu posições depois do salto. Ainda assim, o avanço foi amplo e acompanhado por volume recorde: mais de 5 milhões de negócios, ante uma média diária usual de 1,2 milhão. O real também se valorizou: o dólar à vista caiu 4,12%, para R$ 5,0018, após chegar a R$ 4,953 durante o pregão.
Resultado eleitoral mudou as expectativas do mercado
A alta ocorreu na sessão seguinte ao primeiro turno, em que o senador Flávio Bolsonaro terminou cerca de 2 pontos percentuais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A oposição também conquistou maioria na Câmara e no Senado e avançou em governos estaduais, conforme o resultado eleitoral descrito nas informações do dia.
Investidores reagiram à possibilidade de mudanças na condução econômica e fiscal, incluindo medidas de controle de gastos. O movimento, porém, reflete expectativas sobre um eventual novo governo, não decisões já tomadas. O segundo turno ainda estava previsto para dali a 20 dias, e a composição da equipe econômica e a agenda de despesas permaneciam pontos a acompanhar.
Juros futuros caíram e ações tiveram desempenho desigual
Os contratos de juros futuros, que expressam as taxas esperadas pelo mercado para diferentes prazos, recuaram e fecharam na faixa de 12% ao longo da curva. A queda das taxas pode favorecer ações: reduz o retorno esperado de aplicações de renda fixa e, nos cálculos dos investidores, o valor presente de lucros futuros tende a aumentar quando a taxa usada como referência diminui. Isso não equivale a uma redução imediata da Selic nem garante cortes futuros.
As expectativas para a política monetária também mudaram: a probabilidade atribuída a um corte de 0,50 ponto percentual na Selic em dezembro passou de 18% para 45%. Na bolsa, Magazine Luiza subiu 24,18%, enquanto Suzano caiu 5,39%, pressionada pela queda do dólar, que reduz em reais o valor de receitas obtidas no exterior. Petrobras avançou: PETR3 ganhou 6,68% e PETR4, 8,19%. Já Vale recuou 0,97%.
O que o fechamento sinaliza — e o que ainda falta
O otimismo também encontrou apoio em Wall Street, onde os principais índices encerraram em alta, com impulso das empresas de tecnologia. No Brasil, o JPMorgan elevou sua recomendação para ações do país, apostando em potencial de melhora fiscal e redução dos juros. Essas avaliações ajudam a explicar o fluxo para a bolsa, mas não eliminam os riscos de uma mudança de expectativa se os próximos acontecimentos políticos ou econômicos decepcionarem.
Para quem investe, a sessão evidencia que preços podem mudar rapidamente quando o mercado revê cenários — e também podem devolver parte dos ganhos. Um executivo do setor financeiro observou que dívida, resultado primário e projeções de crescimento não mudaram de sexta para segunda-feira. O próximo foco será o desfecho do segundo turno e, depois, a definição de medidas concretas: a reação dependerá do que for implementado, não apenas do que se espera.
