O BTG Pactual calcula que o Ibovespa pode subir até 45% em um cenário otimista de vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula no segundo turno, em 25 de outubro. O banco também estima alta de cerca de 20% caso as ações brasileiras voltem à média histórica de preços. O Citi não divulgou esses mesmos percentuais, mas vê espaço para valorização se crescer a expectativa de uma política econômica mais favorável ao mercado.

O que está por trás da projeção de até 45%

A estimativa do BTG parte da avaliação de que a bolsa brasileira negocia com desconto. Na leitura do banco, se esse desconto diminuir, os preços das ações podem avançar. O cenário de alta de 20% está ligado à volta dos valores do Ibovespa à média histórica; os 45% representam uma hipótese mais otimista, não uma previsão garantida nem uma meta com prazo definido.

A perspectiva depende também de como os investidores avaliam o resultado eleitoral e as propostas que possam ser apresentadas até o segundo turno. Uma vitória de Flávio poderia, na visão dos bancos, aumentar a confiança em medidas de disciplina fiscal e em incentivos ao setor privado. Essas são expectativas sobre um possível governo, e não políticas já anunciadas ou implementadas.

Vantagem no primeiro turno anima investidores

Na votação de domingo, 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. A diferença foi de cerca de 2 milhões de votos. O resultado deixou a disputa aberta para o segundo turno, mas foi recebido com otimismo por parte do mercado financeiro.

Às 13h57 desta segunda-feira, 5 de outubro, o Ibovespa subia 8,46%, aos 208.359 pontos. O movimento mostra a reação dos investidores naquele momento, mas não antecipa como a bolsa se comportará nos próximos dias. Até a votação de 25 de outubro, a incerteza eleitoral pode provocar novas oscilações.

Como expectativas fiscais podem mexer com as ações

Quando investidores esperam maior controle das contas públicas, podem exigir um retorno menor para aplicar no país. Esse retorno adicional exigido para compensar riscos é chamado de prêmio de risco. Se ele cai, empresas e governo podem encontrar condições de financiamento mais favoráveis, enquanto ações podem ganhar valor porque os lucros futuros passam a ser descontados a uma taxa menor.

O caminho, porém, depende de decisões concretas e da capacidade de executá-las. A avaliação do Citi é que uma agenda percebida como fiscalmente conservadora poderia favorecer juros de longo prazo menores e melhorar o apetite por ativos brasileiros. O banco ressalta que ainda há incerteza até o segundo turno, portanto a reação positiva não elimina o risco de reversão.

Ações mais voláteis estão entre as preferidas do Citi

O Citi diz preferir ativos mais voláteis, que tendem a responder com mais intensidade quando investidores ficam mais dispostos a correr riscos e o mercado de capitais se aquece. Entre os papéis destacados estão XP (XPBR31), B3 (B3SA3) e BTG (BPAC11). A indicação descreve a visão dos analistas sobre o cenário, não assegura desempenho positivo dessas ações.

O BTG também avalia que votos de candidatos de centro-direita ou direita podem migrar para Flávio no segundo turno. O banco cita como possível contraponto a tentativa de Lula de mobilizar eleitores que não compareceram às urnas, mas considera esse caminho pouco provável. O resultado final dependerá, portanto, tanto da transferência de votos quanto da participação eleitoral.

O que acompanhar até 25 de outubro

Para quem investe, a diferença entre a estimativa de 20% e o cenário de até 45% está nas premissas: a segunda hipótese exige uma reprecificação mais forte dos ativos. As projeções ajudam a entender o que está sendo considerado pelo mercado, mas não são promessa de retorno. O movimento de uma sessão também não confirma que a valorização se sustentará.

Até o segundo turno, declarações dos candidatos e sinais sobre política fiscal podem alterar as expectativas. Para quem não investe diretamente em ações, a reação da bolsa não muda por si só o preço de contas ou produtos. Efeitos mais amplos dependeriam de medidas futuras que influenciassem juros, crédito e atividade econômica. Por ora, a perspectiva dos bancos está condicionada ao resultado eleitoral e à política que vier a ser adotada.