O Bradesco BBI apontou Sabesp, Energisa, Equatorial, Copasa e Auren como as utilities mais beneficiadas por uma eventual queda dos juros reais de longo prazo: os preços-alvo dessas empresas poderiam subir de 5% a 6% para cada recuo de 0,50 ponto percentual. A avaliação importa porque o banco vê efeitos diferentes para o setor após o primeiro turno das eleições, em meio à possibilidade de rotação de investidores para ações mais cíclicas.

Queda dos juros pode favorecer cinco empresas

As cinco companhias se destacam pela duration, conceito que indica quanto o valor de uma ação tende a reagir a mudanças nas taxas de juros de longo prazo. Quando essas taxas caem, fluxos de caixa esperados para o futuro passam a valer mais na avaliação feita hoje, o que pode favorecer empresas com maior sensibilidade a esse movimento.

O BBI estima que, entre 2026 e 2029, o grupo tenha crescimento real de 27% a 68% no lucro e de 12% a 30% no EBITDA, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Esses números ajudam a explicar a atratividade potencial apontada pelo banco, mas não representam garantia de desempenho nem mudança nas recomendações.

Maior exposição do mercado pode limitar ganhos

O cenário também traz uma força em sentido contrário: investidores podem reduzir posições em utilities, consideradas ações defensivas, para buscar empresas mais ligadas à atividade econômica doméstica. Se essa rotação ocorrer, a procura menor pelo setor pode restringir a valorização das ações, mesmo que os juros de longo prazo recuem.

O posicionamento atual é diferente do observado em ciclos eleitorais anteriores. Segundo o BBI, em 2018 e 2022 as carteiras chegavam ao primeiro turno com menor exposição a utilities. Desta vez, a presença maior desses papéis pode deixar menos espaço para novas compras caso os investidores direcionem recursos a setores cíclicos.

Sem queda nos juros, previsibilidade ganha peso

Se as taxas de longo prazo não caírem, a maior sensibilidade das cinco empresas deixa de ser uma vantagem e pode se tornar um risco. Nesse cenário, o BBI destaca ISA, Copel e Axia por combinarem menor duration com resultados mais previsíveis ou dividend yield suficiente para remunerar o acionista enquanto ele aguarda.

Dividend yield é a relação entre os dividendos pagos por uma empresa e o preço de sua ação. A referência, nesse caso, não é uma promessa de retorno: serve para mostrar como a distribuição de proventos pode ser relevante quando a valorização dos papéis depende de condições que talvez não se concretizem.

Eneva, Sabesp e Copasa aparecem como resilientes

O banco também identifica Eneva, Sabesp e Copasa como empresas mais resilientes a diferentes cenários macroeconômicos. A Eneva se diferencia pela previsibilidade das receitas de capacidade contratadas e corrigidas pela inflação, característica que reduz a dependência de uma melhora específica no ambiente de mercado.

Sabesp e Copasa, por sua vez, contam com regulação baseada na base de ativos regulatórios, referência usada para calcular a remuneração dos investimentos das empresas. Reajustes tarifários anuais e revisões periódicas, segundo a análise, dão maior previsibilidade ao crescimento dos lucros do que a observada entre distribuidoras de energia.

O que a análise indica para quem investe

As recomendações e os preços-alvo do BBI permanecem inalterados. O estudo compara a exposição das empresas a fatores como juros, previsibilidade de receitas e distribuição de dividendos; não é uma indicação para comprar ou vender ações. A escolha entre esses fatores depende dos riscos que cada investidor aceita assumir.

Para acompanhar o setor, o ponto central será observar se os juros reais de longo prazo caem e se a rotação para ações cíclicas se confirma. Uma queda das taxas pode dar impulso às empresas mais sensíveis, enquanto a permanência dos juros elevados tende a tornar mais relevantes a previsibilidade de resultados e os dividendos. O banco não alterou suas projeções, e o cenário seguirá sujeito a essas condições.