As ações do Magazine Luiza (MGLU3) avançavam 28,12% nesta segunda-feira (5), cotadas a R$ 9,75 por volta das 12h20, e estavam entre as maiores altas do Ibovespa. O salto ocorre em uma sessão de forte valorização da Bolsa após o primeiro turno das eleições, com investidores reavaliando as perspectivas para a economia e para os juros no país.

Resultado eleitoral movimenta ações domésticas

Na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 45,16%. Os dois candidatos seguem para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. O resultado surpreendeu em relação às pesquisas e mudou as expectativas dos investidores sobre os próximos passos da política econômica.

A reação não ficou restrita ao Magazine Luiza. Outras ações ligadas à atividade doméstica também subiam: Localiza avançava 20,93%, Assaí, 18,65%, e Lojas Renner, 18,37%, no mesmo momento. Vamos, Smart Fit e construtoras também estavam entre os destaques positivos, indicando uma alta concentrada em empresas mais sensíveis às condições econômicas brasileiras.

Como juros e câmbio afetam empresas como o Magalu

Uma das explicações para o movimento é a queda dos juros futuros, taxas negociadas no mercado que ajudam a indicar a expectativa para os juros nos próximos anos. Quando essas taxas recuam, tende a diminuir o custo de financiamento das empresas e a melhorar as condições para consumidores que recorrem ao crédito. Isso pode favorecer varejistas, cujas vendas dependem em parte do poder de compra e do acesso a parcelamentos.

A valorização do real também compõe esse cenário. Uma moeda brasileira mais forte pode reduzir custos de produtos e insumos importados, embora o efeito dependa de cada empresa e não se traduza automaticamente em preços menores ao consumidor. Para as ações, a combinação de juros futuros em queda e câmbio mais favorável pode aumentar o interesse por companhias voltadas ao mercado interno.

Expectativa por mudança econômica ainda depende de sinais

O avanço das ações reflete expectativas, não uma mudança já realizada na política econômica. O mercado também acompanha a composição do Congresso, onde os resultados divulgados apontam crescimento do PL e de partidos alinhados ao bolsonarismo, e tenta avaliar se o próximo governo terá apoio para aprovar medidas econômicas.

Entre as questões observadas está a capacidade de avançar em uma agenda de consolidação fiscal, isto é, de controlar as contas públicas. Uma perspectiva de maior disciplina fiscal pode reduzir a percepção de risco e pressionar para baixo os juros futuros. Mas a sustentação desse movimento depende de propostas e sinais concretos, que ainda podem mudar até o segundo turno.

Volatilidade pode aumentar até o segundo turno

A alta expressiva do Magazine Luiza mostra como as ações podem reagir rapidamente a mudanças nas expectativas políticas e econômicas. Isso não significa que o avanço de 28,12% vá se manter: depois de uma sessão de forte valorização, investidores podem realizar lucros, enquanto novas informações sobre alianças e propostas alteram as apostas do mercado.

Para quem investe, o próximo marco será a eleição de 25 de outubro, mas o caminho até lá pode ter oscilações intensas. Para consumidores e trabalhadores, a alta das ações, por si só, não muda de imediato o preço dos produtos, o custo do crédito ou a renda. Esses efeitos dependerão de decisões econômicas efetivas e de como elas se refletirão na atividade do país.