O IMOB, índice da B3 que reúne ações do setor imobiliário, disparava 13,5% nesta segunda-feira (5), aos 1.591 pontos, por volta das 11h30. No mesmo horário, papéis de incorporadoras avançavam até 21%, em uma reação ao resultado do primeiro turno das eleições e à expectativa de mudanças na política econômica e de redução dos juros de longo prazo.

Cyrela e outras incorporadoras lideram os ganhos

Entre as empresas voltadas à habitação popular, as ações da MRV subiam 16%, as da Tenda avançavam 12%, as da Plano&Plano tinham alta de 20% e as da Direcional, de 13%. No grupo de companhias com foco em imóveis de média e alta renda, a Cyrela subia 21%, a Eztec avançava 17%, a Moura Dubeux tinha alta de 15% e a Even, de 18%.

A alta do índice ampliava para 22% o ganho acumulado pelo IMOB em 2026 até aquele momento. A disparada do dia, porém, reflete uma mudança nas expectativas dos investidores após a votação, e não uma alteração já concretizada nos juros ou nas condições de financiamento imobiliário.

Resultado eleitoral muda as apostas do mercado

No domingo (4), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, com uma diferença de 2,2 milhões de votos. O segundo turno está marcado para 25 de outubro. O resultado surpreendeu investidores e levou o mercado a reavaliar cenários para o governo e a economia.

O BTG Pactual considera Flávio favorito para vencer a próxima etapa. Na avaliação do banco, uma eventual vitória poderia beneficiar setores mais sensíveis à atividade econômica e à percepção de risco do país, entre eles as incorporadoras. Essa leitura é uma expectativa de mercado, não uma garantia de que as empresas terão custos menores ou resultados melhores.

JPMorgan prefere empresas de média e alta renda

Após o primeiro turno, o JPMorgan elevou Cyrela e Eztec de recomendação neutra para compra e rebaixou Cury, Direcional e Tenda de compra para neutra. A nova ordem de preferência do banco é Cyrela, Eztec, MRV, Direcional, Cury e Tenda. As avaliações refletem a visão dos analistas e não representam uma recomendação para o investidor.

O banco vê possibilidade de redução dos juros reais de longo prazo caso diminua o prêmio de risco fiscal — a compensação exigida pelos investidores para assumir riscos ligados às contas públicas. Juros longos menores podem reduzir o custo de capital das empresas e tornar ações de maior sensibilidade às oscilações do mercado, como as de incorporadoras de média e alta renda, mais atraentes. O JPMorgan ressalvou que ainda não alterou projeções de resultados nem preços-alvo para dezembro de 2027.

Habitação popular pode enfrentar riscos diferentes

Na análise do JPMorgan, empresas de habitação popular podem ter mais incertezas em um eventual novo governo de Flávio Bolsonaro. Entre os riscos apontados estão uma possível restrição maior de crédito pela Caixa Econômica Federal e um apoio menor ao Minha Casa, Minha Vida.

Essa diferença ajuda a explicar por que o banco passou a preferir Cyrela e Eztec, mais expostas aos segmentos de média e alta renda. O desempenho das ações, no entanto, também dependerá de como as propostas econômicas e habitacionais serão definidas e da capacidade de cada empresa de manter seus negócios.

O que observar até o segundo turno

O JPMorgan cita como referência o período após a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018, quando as incorporadoras tiveram expansão de múltiplos — medidas usadas para comparar o preço das ações com indicadores financeiros das empresas. Em 12 meses, o múltiplo preço/lucro da Cyrela subiu 13% e o preço/valor patrimonial avançou 112%; na Eztec, as altas foram de 27% e 64%, respectivamente. O episódio serve como comparação, mas não determina o que ocorrerá agora.

Para quem investe, o avanço do IMOB mostra como as ações do setor podem reagir rapidamente a mudanças nas expectativas políticas e de juros. Até o segundo turno, em 25 de outubro, os investidores devem acompanhar os sinais sobre política fiscal, crédito imobiliário e programas habitacionais. A forte alta desta segunda-feira, por si só, não confirma que esses fatores mudarão nem antecipa o desempenho futuro dos papéis.