Os fundos multimercados chegaram ao fim de setembro com exposição limitada à renda variável brasileira, em parte por causa da cautela com a eleição. Agora, o resultado do primeiro turno testa as apostas feitas por meio de opções: nesta segunda-feira (5), após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ibovespa disparou para 207 mil pontos e o ETF brasileiro negociado nos Estados Unidos subiu 12%.

Setembro trouxe ganhos, mas a Bolsa teve efeito limitado

Em setembro, 155 dos 223 fundos multimercados macro acompanhados em levantamento tiveram rendimento superior ao CDI, que avançou 1,08% no mês. A recuperação da Bolsa e aplicações no exterior ajudaram as carteiras, mas o desempenho dos fundos nem sempre refletiu toda a alta das ações brasileiras.

Entre os destaques, o Adam Macro rendeu 5,75% em setembro e acumulou 25,05% em 2026 até o fim do mês. O Parcitas Hedge teve retorno de 5,53% no período e somou 19,53% no ano. Apesar desses resultados, a maioria dos fundos seguia abaixo do CDI acumulado em 2026, de 10,51% até setembro.

Opções limitam a perda se a aposta não se confirmar

Em vez de comprar ações diretamente, gestores disseram ter recorrido a opções para se posicionar para uma possível valorização da Bolsa. Uma opção de compra dá ao fundo o direito, mas não a obrigação, de comprar um ativo por um preço previamente definido. Se a cotação subir o bastante, a operação pode gerar ganho; se isso não acontecer, a perda fica limitada ao valor pago pela opção.

Essa estratégia ajuda a entender o aumento do interesse por opções do EWZ, fundo de índice de ações brasileiras negociado nos Estados Unidos. O ETF avançava 12% nesta segunda-feira e era negociado a US$ 42,91, acima de US$ 42, um dos níveis em que havia grande volume de opções de compra. O analista Luciano Sousa afirmou que havia posições concentradas nos níveis de US$ 42 e US$ 43.

Resultado eleitoral colocou as posições à prova

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. O resultado contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha. O segundo turno está marcado para 25 de outubro, deixando a disputa política no centro das decisões de investimento nas próximas semanas.

A reação dos ativos é um primeiro teste para as posições montadas antes da votação, não uma confirmação de que todos os fundos já capturaram a alta. Como parte das apostas foi feita com opções, o resultado para cada carteira depende dos preços definidos nos contratos e de como as cotações evoluírem. A alta do EWZ acima de US$ 42, por exemplo, favorece contratos de compra posicionados nesse patamar, mas não revela, por si só, o retorno de cada fundo.

Verde detalhou exposição de 13% à Bolsa brasileira

No fim de setembro, o gestor Luís Stuhlberger informou que o Verde tinha 13% da carteira comprada em Bolsa brasileira, em parte por meio de call spreads, estratégia que combina opções de compra com preços diferentes. Segundo ele, se Lula vencesse, o fundo perderia o prêmio pago pelas opções; no cenário oposto, mencionou potencial de ganho de sete a nove vezes o custo da operação.

Os resultados de setembro também tiveram outras fontes. No Ibiúna Hedge, que avançou 2,26% no mês e 4,14% no ano até setembro, os ganhos vieram principalmente da alta dos juros em países desenvolvidos e da inflação implícita nos títulos prefixados brasileiros, além das ações. A gestora informou que mantinha posições na Bolsa local via opções para outubro.

Segundo turno será o próximo teste para os gestores

A alta desta segunda-feira pode melhorar o resultado de posições ligadas à Bolsa, mas não elimina o risco eleitoral nem garante ganhos para todos os multimercados. O desempenho dependerá dos contratos escolhidos, dos preços dos ativos e da evolução do cenário até a votação de 25 de outubro.

Para quem investe, a diferença entre comprar ações e usar opções está também na forma como o risco aparece: na opção, a perda pode se limitar ao prêmio pago, mas o resultado depende de condições específicas do contrato. Os números de setembro mostram que as carteiras tiveram desempenhos variados e que a exposição reduzida à Bolsa deixou alguns fundos menos sensíveis à recuperação do mercado.