Magazine Luiza, Cosan, Cyrela e B3 avançavam mais de 20% na manhã desta segunda-feira, 5 de outubro, em meio ao rali eleitoral na bolsa brasileira. Às 10h35, o Ibovespa subia 8,39%, aos 208.226 pontos, depois de ultrapassar pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. A disparada reflete a revisão das expectativas dos investidores após o resultado do primeiro turno, mas não significa que todas as ações estejam acompanhando a alta.
Varejo, construção e bolsa lideram os ganhos
Às 10h35, Magazine Luiza registrava a maior alta entre as ações do Ibovespa, com avanço de 24,18%. Cosan subia 22,82%, Cyrela, 21,33%, e B3, 20,79%. O BTG Pactual também estava entre os destaques, com valorização de 19,21% no mesmo horário.
O desempenho reúne empresas de setores diferentes, mas que podem reagir com força a mudanças nas expectativas sobre a economia e o rumo da política. Varejistas, construtoras e companhias do mercado de capitais foram apontadas pelo BTG como possíveis beneficiárias de um cenário de vitória do candidato de direita. O banco citou Cyrela e B3 entre suas ações preferidas nessa hipótese.
Resultado eleitoral altera expectativas dos investidores
O movimento veio após o senador Flávio Bolsonaro (PL) terminar o primeiro turno à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16%. A diferença surpreendeu parte do mercado, que esperava uma disputa apertada, mas considerava mais provável que Lula ficasse em primeiro lugar.
Com o resultado, investidores passaram a atribuir maior probabilidade a uma vitória de Flávio no segundo turno e a uma possível mudança na condução econômica e fiscal. Essa leitura não antecipa com certeza o resultado da eleição nem as medidas de um eventual governo: ela influencia os preços porque os investidores negociam hoje com base em expectativas sobre o futuro. Antes da abertura da B3, o fundo EWZ, negociado em Nova York e composto por ações brasileiras, chegou a subir 10,29% no pregão noturno.
A alta já vinha sendo preparada em setembro
A valorização desta segunda-feira sucede um período de avanço ligado ao fortalecimento de Flávio nas pesquisas. O Ibovespa subiu mais de 5% em setembro e avançou 2,63% na sexta-feira, 2 de outubro, para 192.114 pontos. Naquele pregão, investidores já formavam posições diante da possibilidade de um desempenho melhor do candidato de oposição no primeiro turno.
Para Tadeu Arantes, chefe de alocação da Ghia Multi Family Office, a alta recente representa o começo da precificação de uma chance maior de vitória de Flávio, mas ainda haveria espaço para a bolsa avançar. A avaliação expressa uma leitura de mercado, não uma garantia de que o índice ou as ações continuarão subindo.
Desconto nas ações sustenta projeções do BTG
Uma parte da tese do BTG é que as ações brasileiras ainda estavam relativamente baratas antes do salto. O banco calculava que o mercado negociava a 10 vezes o lucro projetado para os 12 meses seguintes, sem Petrobras e Vale, abaixo da média histórica de 11,9 vezes. Essa relação compara o valor das ações com o lucro esperado das empresas: quando aumenta, o mercado aceita pagar mais por cada unidade de lucro previsto.
Em um cenário de vitória de Flávio, o BTG estimou que o múltiplo poderia voltar à média histórica, o que representaria potencial de alta de 20%. Em uma hipótese mais otimista, de 14,5 vezes — um desvio-padrão acima da média —, o potencial calculado chegaria a 45%. São projeções condicionais, não retornos assegurados. Cosan também aparece entre as empresas que, por terem maior sensibilidade às oscilações do mercado, poderiam avançar mais numa reprecificação.
Nem todas as ações acompanham o rali
Apesar da alta expressiva do índice, Suzano recuava 3,36% e Embraer caía 1,51% às 10h35. WEG estava praticamente estável, com baixa de 0,33%, enquanto Prio subia 0,49%. A diferença mostra que o avanço do Ibovespa não se distribui igualmente entre os papéis.
Para quem investe, o próximo foco será a campanha até o segundo turno e como os candidatos detalharão suas propostas econômicas e fiscais. As oscilações desta manhã refletem expectativas que podem mudar com novas informações. O desempenho de um dia, mesmo com altas superiores a 20% em algumas ações, não determina sozinho o resultado futuro dos papéis.
